1. - Esporte e
Ansiedade
O esporte, em especial o esporte competitivo, é sinônimo de situações
de avaliação comparativa (pelos outros e por si mesmo), de objetivos
competitivos a alcançar, de desafios, de rivalidades, de
espectativas, e de uma série de outros fatores associados, como
por exemplo, de prestígio, de dinheiro, autoestima, admiração
social, reconhecimento, etc.
Todas estas situações acabam gerando, nos atletas, estados afetivos e somáticos
complexos e inerentes às particularidades de cada competição e
de cada pessoalidade. Essas vivências esportivas, tendo em vista
a pessoalidade de cada atleta e a carga afetiva que este coloca na
competição, provocam reações emocionais atuais ou anticipatórios,
tais como a ansiedade, estresse, medo, insegurança, depressão, angústia,
etc (veja o conceito de Reações
Vivenciais).
A prática clínica e as pesquisas relacionadas ao esporte mostram que o
estresse e a ansiedade costumam ter um relacionamento muito polêmico
com o rendimento esportivo. Tentando resolver o problema terminológico
entre as diversas expressões usadas para se referir às reações
de alerta, vamos considerar aqui a ansiedade, o estresse, a ativação
nervosa, a reação de alerta ou de nervosismo, o esforço emocional
durante ou antes da competição como sinônimos. Embora a psicopatologia
atribua definições mais específicas e diferenciadas entre
alguns desses termos, aqui eles podem ser considerados sinônimos,
na medida em que dizem respeito à estados fisiológicos e psicológicos
desencadeados diante da necessidade do atleta enfrentar algum
desafio (Coping).
Zaichkowsky (1993), por sua vez, parte do princípio que este estado
global do organismo pode representar uma tripla ação: a ativação
fisiológica, a resposta comportamental e a resposta emocional.
O importante é que essas palavras nos dêem a noção de alerta, ansiedade
e nervosismo associados à necessidade de superar obstáculos e
conquistar objetivos. Não obstante, é importante também ter em
mente que a principal diferença a ser considerada é em relação
ao estado de Ansiedade Momentânea, que é aquela fisiológica e
necessária para o indivíduo se adaptar a uma determinada
circunstância e a Ansiedade Traço da Personalidade, que é a
característica de determinadas pessoas, naturalmente ansiosas.
Embora não se tenham dúvidas de que, de fato, existe uma relação
entre o rendimento esportivo e o estresse ou ansiedade, há
controvérsias quanto ao tipo dessa relação. Alguns atletas
consideram que as reações de estresse ou ansiedade atrapalham o
desempenho, chegando a paralizá-los, enquanto outros acham que
esses sentimentos os estimulam.
Em medicina entende-se o estresse ou ansiedade como uma ocorrência
fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do
ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre
esse estado estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas
produzidas no organismo diante de uma situação adversa.
A Ansiedade é, medicamente falando, uma atitude fisiológica (normal)
responsável pela adaptação do organismo às situações novas,
onde se encaixam bem as situações do esporte competitivo. As
mudanças acontecidas em nossa performance física quando um
cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando
passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim
por diante, são as mesmas quando nos encontramos diante de um atleta
adversário.
Diante de situações de competição a performance física acaba fazendo
coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes
de fazer em situações não-competitivas. A maior parte desta
performance melhorada deve-se à ansiedade, porém, embora a ansiedade
favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo
ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência.
A partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de
contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário,
ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Nesse ponto crítico,
onde a ansiedade foi tanta que já não favorece a adaptação, ocorre
o esgotamento da capacidade adaptativa.
Vejamos ao lado, a ilustração de um gráfico ilustrativo, onde teríamos
um aumento da adaptação proporcional ao aumento da ansiedade até
um ponto máximo, com plena capacidade adaptativa. A partir desse
ponto, embora a ansiedade continue aumentando, o desempenho ou adaptação
cai vertiginosamente, assim sendo, ao invés da ansiedade melhorar
a performance, acaba por compromete-la.
Em nossos ancestrais o mecanismo do estresse foi destinado à sobrevivência
diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida, como foi
o caso das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das
intempéries climáticas, da busca pelo alimento, da luta pelo
espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas
ameaças concretas não mais existirem em sua plenitude como existiram
outrora, esse equipamento biológico continuou existindo. Apesar dos
perigos primitivos e concretos não existirem mais com a mesma
freqüência, persistiu em nossa natureza a capacidade de reagirmos
ansiosamente diante das situações novas, das ameaças.
Hoje em dia, emsmo fora do mundo esportivo, tememos a competitividade
social, a segurança social, a competência profissional, a sobrevivência
econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças
abstratas e reais, enfim, tudo isso passou a ter o mesmo
significado de ameaça e de perigo que as questões de pura
sobrevivência à vida animal ameaçavam nossos ancestrais.
Se, em épocas primitivas o coração palpitava, a respiração ofegava e
a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos
estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia
nosso coração bate mais forte diante das exigências adaptativas
do mundo moderno, onde se incluem os desafios do esporte competitivo,
principalmente quando este ultrapassa a característica de lazer e
passa a ser uma ocupação profissional (veja Estresse
e Esgotamento).
Baseado nesse gráfico da em forma de U invertido
que Hardy (1991) aplica a teoria das catástrofes na relação
ansiedade-rendimento. O autor considera os efeitos da interação
entre a ansiedade cognitiva e a ativação fisiológica no
rendimento e o modelo da catástrofe preveria quando o nível de
ansiedade cognitiva é muito alto, se observaria uma relação do
tipo “catástrofe”, com deterioração brusca e catastrófica
do rendimento.
Esse modelo, portanto, sugere que o aumento da ansiedade cognitiva
poderia ter um efeito benéfico no rendimento em casos de baixos níveis
de ativação fisiológica, mas teria efeitos bastante negativos em
de níveis mais elevados.
Classicamente se considera a ansiedade excessiva
um elemento negativo para o rendimento do atleta, e opiniões dos
próprios atletas sobre esse aspecto são mais bastante evidentes,
principalmente a ansiedade relacionada às expectativas de êxito
por parte do próprio esportista ou sua sensação de satisfação
da expectativa dos demais sobre sua vitória.
No esporte, é bastante didática a diferenciação da ansiedade em dois
tipos, proposta por Martens (1990); a ansiedade cognitiva e
a ansiedade somática, as quais não teriam a mesma influência
no rendimento do atleta. Esse autor acha que o rendimento cairia quando
a ansiedade cognitiva aumenta e, pelo contrário, melhoraria quando
a ansiedade somática aumenta moderadamente, mas igualmente
diminuindo quando esta última também é intensa.
Em termos de ansiedade
somática, que surge no momento da competição e envolve a
participação do organismo como um todo, colocando-o em estado de
alerta e resultando no aumento dos níveis de adrenalina e
cortisol, é preferível que o atleta tenha um nível levemente
superior ao nível normal durante a competição.
Um elevado nível
de ativação através da ansiedade somática é esencial para as
atividades globais que requerem rapidez, resistência física e força,
como por exemplo, nos jogos de futebol, basquete, lutas corporais,
corridas, braço de ferro, natação, etc. Entretanto, um nível elevado
de ansiedade somática seria negativo para habilidades complexas
que exigem movimentos musculares finos, coordenação, concentração
e equilíbrio.
A ansiedade cognitiva, por sua vez, que surge mais precocemente ao
aproximar-se de uma competição e permanecer em alto nível, é
determinada pela sensação emocional de apreensão e tenacidade
psíquica. Este tipo de ansiedade, quando aumentada, produziria efeitos
negativos nas atividades esportivas que requerem maior concentração,
estratégia e agilidade psicomotora fina, como por exemplo, no xadrez,
sinuca, golf, tiro ao alvo, dança, etc.
De um modo geral ambos tipos de ansiedade podem estar presentes em um
mesmo atleta, predominando um tipop ou outro, dependendo do tipo
de esporte e/ou do tipo de pessoalidade.
Por fim existe um terceiro fator se associa à possibilidade da ansiedade
somática e cognitiva no comprometimento do rendimento do atleta:
o estado afetivo e sua conseqüência mais direta e imediata
que é a autoconfiança. A autoconfiança positiva parece
estar ligada à melhora do rendimento, principalmente porque parece
ser o oposto da ansiedade cognitiva.
O estado afetivo ou a afetividade (ou Humor, em psicopatologia)
compreende o estado de ânimo ou humor, os sentimentos, as emoções
e as paixões e reflete sempre a capacidade de experimentar
sentimentos e emoções. A Afetividade é quem determina a atitude
geral da pessoa diante de qualquer experiência vivencial, promove
os impulsos motivadores e inibidores, percebe os fatos de maneira
agradável ou sofrível, confere uma disposição indiferente ou
entusiasmada e determina sentimentos que oscilam entre dois polos,
a depressão e a euforia (veja Afetividade).
A afetividade modela o modo de relação do indivíduo com a vida e será
através do estado de ânimo que a pessoa perceberá o mundo e a realidade
desta ou daquela maneira. Direta ou indiretamente a afetividade exerce
profunda influência sobre o pensamento e sobre toda a conduta do
indivíduo.
Há estados afetivos momentâneos e
constitucionais, os primeiros determinados por circunstâncias
vivenciais e os segundos pela tonalidade afetiva ou humor básico
da pessoa. As características intorvertida e extrovertida da
pessoalidade podem dar um dos muitos exemplos de disposições afetivas
inatas. Quando se estuda a Depressão estamos estudando uma alteração
do estado de ânimo ou um estado afetivo depressivo.
A autoestima está seriamente comprometida em
estados afetivos depressivos e, conseqüentemente o rendimento esportivo
de atletas depressivos está seriamente prejudicado. Há,
inclusive, uma forte tendência em associar a ansiedade aos
estados depressivos.
De fato, saber com certeza se a Ansiedade pode ser uma das causas de Depressão
ou se, ao contrário, pode surgir como conseqüência desta tem
sido uma questão aberta à pesquisas e reflexões. Strian e Klicpera
(1984) consideram um quadro unitário de Depressão e Ansiedade e
Clancy e cols (1978) constatam que o humor depressivo antecede com
freqüência ao primeiro ataque de pânico. Lader (1975), ainda na
década de 70, já observava que o Transtorno Ansioso aparece
muito mais freqüentemente em pessoas com caráter
predominantemente depressivo.
2. - Influências sobre o Rendimento do Atleta
Muitos estudos se interessam pelo desempenho de Coping, ou pela performance do atleta em relação às influências
do meio, das condições de treinamento, da autoconfiança ou do
sentimento de se sentir preparado, pressionado e/ou cobrado para a
competição. A maioria dos estudos procura diferenciar os
esportistas com uma prática intensa e de bom nível, daqueles
cuja prática é mais esporádica e o nível de preparo menos
primoroso, em outras palavras, diferencia os profissionais das
outras pessoas.
Os autores reconhecem a grande influência sobre
o desempenho do atleta, não apenas dos fatores diretamente
relacionados ao esporte e à competição em si, mas dos fatores
que estão além destes, ou seja, que dizem respeito às circunstâncias
sócio-emocionais que envolvem o atleta e a competição. De modo
geral tais fatores podem ser resumidos em mecanismos psicológicos
ligados à mecanismos pessoais ou constitucionais (personalidade e
vocações inatas), à situação da competição em si
(conscientes e ativos) e circunstanciais (do entorno social),
vistos abaixo.
2.1 - Fatores Pessoais e Constitucionais
Nenhum ser humano mostrará Traços que já não
existam em outros indivíduos, como uma espécie de patrimônio do
ser humano, ou seja, à todos indivíduos de uma mesma espécie são
atribuídos os traços característicos dessa espécie.
Entretanto, a combinação individual desses Traços em proporções
variadas numa determinada pessoa caracterizará sua Personalidade
ou sua maneira de ser.
O senso comum de um sistema sócio-cultural
costuma elaborar uma relação muito extensa de adjetivos
utilizados para a argüição dos indivíduos deste sistema:
sincero, honesto, compreensivo, inteligente, cálido, amigável,
ambiciosos, pontual, tolerante, irritável, responsável, calmo,
artístico, científico, ordeiro, religiosos, falador, excitado,
moderado, calado, corajosos, cauteloso, impulsivo, oportunista,
radical, pessimista, e por aí afora. Podemos considerar Traço
Predominante da pessoa em apreço a característica que melhor à
define, como se, entre tantos traços tipicamente e
caracteristicamente humanos, este traço específico predominasse
sobre os demais.
Pois bem. É exatamente a predominância de
alguns traços e a atenuação de outros que acaba por constituir
a pessoalidade de cada um. Enfim, é como se o artista conseguisse
extrair uma cor única e muito pessoal misturando uma série de
cores básicas encontradas em todas as lojas de tintas. Como os
traços básicos do ser humano são infinitamente mais numerosos
que as cores básicas do exemplo, as combinações entre esses traços
serão infinitas, fazendo disso a infinita diversidade de
pessoalidades.
A
combinação dos Traços resultará uma unidade funcional humana
completamente distinta de todas os demais. É difícil pensar
nestes Traços de outra forma, senão como uma certa inclinação
inata submetida à influência agravante ou atenuante do meio,
inclinação esta, responsável pela maneira como a pessoa se
apresentará ao mundo ou ao convívio gregário (veja Teoria
da Personalidade).
Entre os fatores constitucionais, um forte traço de ansiedade na
pessoalidade, entendido como uma predisposição de sensibilidade
inata para perceber certos estímulos como ameaçadores, é um
fator preditivo para estados exagerados de ansiedade, cognitiva e
somática, estimulados pela competição.
Quando o traço de ansiedade é suficiente para fazer com que essa emoção
seja somatizada, ou seja, se transforme em problemas orgânicos ou
físicos (hipertensão, gastrites, diarréia crônica, vômitos,
urticária, etc), talvez os esportes individuais ou não-competitivos
fossem mais bem indicados.
Pessoas com baixo limiar de tolerância às
frustrações também são muito problemáticas em relação aos
esportes competitivos. Esse traço, de baixo limiar de tolerância
às frustrações, aparece desde cedo no desenvolvimento da
pessoa, caracterizando-as como crianças birrentas,
“nervosas”, teatrais, exigentes sobre suas pretenções.
Dependendo do grau de intolerâncias às frustrações,
pessoalidades com este traço podem contra-indicar esportes
competitivos ou tornam-se atletas pouco éticos.
Laurent (1999) considera os fatores
constitucionais dirigidos segundo duas orientaçõe: pelo
rendimento e/ou pelo controle, ou seja, dirigido pela carga
afetiva que a tarefa da competição impõe ou pelo Ego do atleta.
Ele ainda entende as motivações do atleta distinguindo três objetivos:
1 - O atleta pode perseguir seu objetivo e demostrar assim sua
capacidade. O fato de buscar um rendimento desejável (ou
desejado) não está necessariamente ligado ao aumento da
ansiedade cognitiva, mas está sim, ligado ao aumento da motivação.
2 – Pode, por medo, evitar o risco de mostrar sua eventual incompetência.
A evitação do risco pode levar ao aumento da ansiedade cognitiva
e diminuição da motivação e do rendimento.
3 – Pode, ainda, tentar dominar seu compromisso com a competição ou
esporte através do domínio da disciplina e da técnica. O
dominio da disciplina diminui a ansiedade cognitiva e aumenta a
motivação.
2.1.1 - Personalidade
do esportista vencedor
Pode-se afirmar que existe uma relação entre a
pessoalidade da pessoa e sua opção ou escolha para a prática
deste ou daquele esporte. A grande divisão ou classificação
poderia ser feita considerando aquelas pessoas voltadas para os
esportes competitivos e as outras, para os não-competitivos.
Entre essas atividades esportivas teríamos ainda que classificar
pessoas voltadas para esportes competitivos de esforço físico,
de resistência, de estratégia, etc. Assim como, entre os não-competitivos,
teríamos aqueles voltados ao condicionamento de resistência, de
força, de habilidade, de persistência, etc. Enfim, como vemos,
no esporte descortina-se todo um universo de atividades que
atenderiam igual universo de vocações, inclinações e
pessoalidades.
Apesar das dificuldades e da complexidade de pesquisas na relação entre
o esporte e a pessoalidade, o que se pretende pesquisar são os
traços da pessoalidade do esportista (e não sua patologia).
Algumas pesquisas comparam a pessoalidade de atletas vitoriosos
com atletas que fracassam. Morgam (1987) diz que os atletas
vitoriosos respondem, mais freqüentemente, ao perfil denominado iceberg
profile.
Esta característica iceberg profile não se trataria de uma
pessoalidade particularmente “fria”, mas de um modelo definido
por Morgam e caracterizado por atitudes dirigidas para se
conseguir evitar, com sucesso, momentos de neurose, depressão,
fatiga, confusão e ira, e de se manter orientado por normas que
dizem respeito ao vigor, ao sucesso, à vitória e à outros
valores culturalmente preconizados (conduta espartana).
Fala-se em iceberg profile porque todos os traços negativos se
encontram ocultos ou submersos, enquanto sobressai um único traço
positivo (dirigidos à conduta vitoriosa e exemplar) visivelmente
por cima. Os atletas que possuem este perfil costumam estar mais
concentrados que os outros em suas metas, adaptam-se às
circunstancias adversas com maior facilidade, mantêm excelente nível
de autoconfiança, enfrentam eficazmente a tensão e elaboram
planos detalhados para a conquista das metas.
Sobre isso, Ommundsem (1999) estudou 136 atletas jovens e constatou que a
percepção da própria capacidade esportiva boa diminui a
ansiedade durante a competição. Atletas mais autoconfiantes
experimentaram menos ansiedade somática que aqueles que duvidavam
de suas propias aptidões.
As eventuais conseqüências da pessoa iceberg profile seriam
aquelas relacionadas à frustração diante de sua não-vitória,
frustrações diante da não-vitória de seus alunos, filhos ou
mesmo de seus ídolos. Seriam ainda as frustrações
(evidentemente, seguidas de depressão) decorrentes do
envelhecimento, já que ninguém consegue se manter
indefinidamente com a mesma vitalidade.
Gould (1988) e Hardy (1996) consideram que os
esportistas de alto nível (profissionais) têem muitos e
complexos objetivos implicados na vitória estabelecidos pelo ego,
e suas motivações podem se basear na realização de uma satisfação
narcisista. Algumas vezes a busca desses objetivos pode ser
considerada como uma estrategia adaptativa para combater uma situação
de ansiedade determinada por um ego carente de autoafirmação.
2.2 - Fatores Ligados à Competição em Si
Para muitos autores, o nível de treinamento, a habilidade (perícia) e o
histórico de vitórias anteriores aumentam a sensação de
autoconfiança dos atletas e tendem a diminuir sua ansiedade
cognitiva e somática que se observa no período pré-competição.
Segundo Chapmam (1997), os competidores que ganham mais vezes
mostram, de 2 a 1 hora antes da competição (competitive
stateanxiety inventory) uma maior autoconfiança que aqueles que
perdem mais.
Pantedilis (1997) reconhece que em um jovem tenista de 11 anos parece não
haver diferença entre o nível de ansiedade gerado na situação
de competição e a ansiedade do treinamentob. Martens (1990), por
sua vez, observa que o nível de ansiedade é mais alto nos
esportistas jovens, em particular os pré-adolescentes, que em
outras idades. Os jovens esportistas com pouca experiência quando
entram em competições de alto nível, por estarem conscientes do
que está em jogo, manifiestam uma ansiedade competitiva mais alta
que os esportistas de mais idade ou com mais experiência. De modo
geral, os autores sustentam a hipótese de que, na medida em que
as pessoas não se sentem ameaçadas em sua autoestima pela
competição, manifiestam menos ansiedade.
Outro diferencial no grau de ansiedade determinado pelo esporte, mais
precisamente pela competição, diz repeito ao fato do tipo de
esporte ser coletivo ou individual. Kirkby demonstra que a prática
de um esporte coletivo ou de um esporte individual influi na
ansiedade. Ele submeteu 235 atletas chineses a uma escala de
ansiedade (competitive state anxiety inventory-2 de Martens) pouco
antes de competições importantes (corrida e partida de
basquete).
Os atletas que participam individualmente (independente do sexo)
apresentaram pontuações muito mais altas na escala de ansiedade
somática e de autoconfiança que aqueles que praticam esportes em
equipe (Kirkby, 1999).
Mais um diferencial no grau de influência sobre a ansiedade considera a
questão da disciplina e aprendizagem do esporte. Martim (1997)
sustenta que a ansiedade pré-competição é maior nos atletas de
esportes que dependem de uma disciplina maior. Igual é o raciocínio
de Bakker (1992), ao mostrar que em certos esportes, como a patinação
artística ou a ginástica olímpica, onde a diciplina e a
aprendizagem dos movimentos é fundamental para o êxito, a
ansiedade pré-competição é maior em outros esportes (corrida,
ciclismo, etc) onde a aprendizagem motora não cumpre um papel tão
determinante, depois de adquirido o conhecimento básico.
2.3 - Fatores Circunstanciais
Entre tais fatores estão, em especial, tudo aquilo que entra em jogo na
competição, assim como a presença dos pais e familiares do
atleta, a atitude do treinador, o sentimento de se sentir
preparado, a espectativa social sobre a vitória, a repercussão
social do resultado, o eventual rendimento econômico (ou social)
vinculado à vitória, enfim, todos esses elementos formam um
conjunto capaz de influenciar afetivamente o atleta e seus
resultados.
Debois (2000) confirma esta idéia destacando,
principalmente, a diferença de rendimento na prática de esportes
realizados no domicílio e fora dele. Segundo esse autor, a presença
de determinados espectadores é um forte determinante no estresse
das ginastas, os quais podem se preocupar mais a respeito das
avaliações de seus pais ou do treinador, que nos resultados em
si.
Confirmando esse fato, Bray (2000), estudou 34
jovens esquiadores (com idade média de 13,7 anos), e mostrou que
a ansiedade somática não se achava ligada forçosamente à
competição em si, mas sim relacionada com o olhar dos pais, dos
outros competidores ou dos esquiadores em geral.
Duda acha que a expectativa de vitória projetada
no atleta por seu entorno (pais, treinador, mídia, etc), seria um
forte fator de aumento dos estados afetivos problemáticos na fase
pré-competição. A ansiedade competitiva parece ser reforçada
pela pressão social que sente o atleta, exacerbando assim os
pensamentos pré-competição ligados ao medo do fracasso, de
decepcionar outras pessoas, etc (Duda, 1995).
3. - O Lado Bom da Ansiedade
Em alguns casos, entretanto, a ansiedade aparece mais como um fator
estimulante do que debilitante dos rendimentos esportivos.
Takemura (1999) por exemplo, pesquisou em 93 estudantes uma situação
experimental de estresse e chegou à conclusão de que só as
pessoas com um traço de ansiedade mais acentuado em suas
pessoalidade foram capazes de correr mais rápido diante de um
estresse maior. Deduziu, assim, que o estresse poderia melhorar o
rendimento físico.
De fato, parece não haver uma lei geral sobre o
caráter estimulante ou inibidor da ansiedade sobre o esporte. Por
causa disso sugerimos observar o gráfico acima apenas como uma
tentativa de estabelecer limites, a partir dos quais a ansiedade
comprometeria o rendimento do atleta. E tais limites seriam muito
pessoais, de acordo com o perfil afetivo e ansioso de cada
pessoalidade.
Diante da diversidade de efeitos da ansiedade sobre os diversos atletas
é que alguns autores aceitam a idéia de que a quantidade ótima
de ansiedade necessária para um bom desempenho depende de cada
atleta. Hanin (1989) acha que não há um nível de ativação
ideal para todos os atletas, sendo que alguns, por exemplo, podem
ter seu melhor nível de rendimento quando têem um nível baixo
de ativação (sintam-se mais relaxados), enquanto outros só
podem alcançar o êxito quando têem um alto nível de ativação
(sintam-se mais excitados).
Em outras palavras, para se compreender o efeito da ansiedade não
podemos simplesmente avaliar sua intensidade, nem se seu tipo é
cognitiva (afetiva) ou somática, mas sim, avaliar a capacidade de
enfrentamento ou Coping
(capacidades para afrentar o estresse ou capacidade de adaptação)
das pessoas.
Outro trabalho interessante é o de Parfitt, tentando demonstrar que os
efeitos positivos ou negativos da ansiedade sobre o esporte
dependem do tipo de esporte praticado. A ansiedade somática, por
exemplo, que é a ativação orgânica global, com aumento dos níveis
de adrenalina, cortisol e outros hormônios, pode influir
positivamente no rendimento dos esportes onde entram em jogo exigências
anaeróbicas (lutas, corrida, salto em altura, natação, futebol,
basquete, etc).
Por outro lado, o estado afetivo influiria no rendimento de esportes
competitivos que envolvem estratégia, memória, intelecto, como
por exemplo, xadrez, golf, jogo de cartas, sinuca, tiro ao alvo,
etc. Nestes casos influiria a autoconfiança, sensação de
segurança, autoestima, ou seja, a ansiedade cognitiva e não a
somática. Assim sendo, parece que há uma concorância sobre o
fato da ansiedade não ter o mesmo efeito em todos esportes e nem
em todas as pessoas (Parfitt, 1999).
Hartom (2000) chega aos mesmos resultados mostrando que os esportistas
sentem de diferentes maneiras os efeitos da ansiedade acerca de
seu caráter estimulante ou inibidor em função do esporte
praticado. Ele compara jogadores de rugby, considerado um esporte
explosivo-agressivo, com o tiro ao alvo, onde se requer concentração
e motricidade fina. Observa que os jogadores de rugby atestam que
a ansiedade somática favorece o desempenho, enquanto os
atiradores de tiro ao alvo reconhecem o contrário.
4. - O Esporte Influi na Ansiedade e na Depressão?
Uma das perguntas mais freqüentes em relação à prática esportiva é
saber se as pessoas que sofrem transtornos depressivos ou ansiosos
podem melhorar seu estado através do esporte. Será que os
atletas e praticantes de esportes se deprimem menos ou têm menos
ansiedade que a população geral?
Em relação à ansiedade, primeiramente, devemos saber que tipo de
ansiedade, exatamente, está em questão; seria a ansiedade
cognitiva ou somática? Seria um estado de ansiedade momentâneo
ou de um traço ansioso de personalidade?
De um
modo geral e abrangente, as investigações dos últimos dez anos
costumam ter resultados diversos, embora quase todos ressaltam um
efeito positivo do esporte na depressão e na ansiedade. Weimberg
(1997) transcreve um quadro de Taylor onde se relaciona os
esportes vinculados ao bem estar psicológico, sugerindo que, em
geral, o esporte diminuiria a ansiedade, a depressão, a tensão,
a ira, as fobias, além de melhorar a autoconfiança e a
estabilidade emocional. Abele (1993) e Yeung (1996) também acham
que o exercício teria um efeito positivo sobre o humor, assim
como North (1990) e Isen (1990), que considera a atividade
esportiva um forte fator de alívio para a depressão.
Voltando a Weimberg, que faz referências a outros autores que avaliaram
a redução da ansiedade, relacionando-a à intensidade e tipo dos
exercícios, o tipo de exercício físico mais intenso (aeróbico,
em especial a corrida a pé, a natação e, principalmente a própria
dança aeróbica) parece influir positivamente para redução do
estado de ansiedade entre 2 e 24 horas depois do exercício.
Este efeito pode se extender até 15 semanas depois dessa prática aeróbica
e parece ser maior quando a prática do exercício estimula uma
freqüência cardíaca até 70 % da freqüência máxima do
esportista em questão, enquanto as sessões de intensidade mais
baixa ou moderada não parecem contribuir na redução da
ansiedade. Tais resultados indicariam que a atividade física
praticada diariamente, não apenas poderia reduzir a ansiedade,
assim como poderia prevenir o desenvolvimento da ansiedade crônica.
Reede (1998) faz outro estudo bastante interessante sobre essa questão.
Ele compara dois grupos, um composto por pessoas de vida sedentária,
que se dedica a uma atividade mais parada, predominantemente de
leitura, e outro chamado grupo ativo, com prática constate de
exercícios. Os dois grupos são submetidos ao exercício e a uma
seção de leitura posterior e em ambos os resultados mostram uma
melhoria do estado de humor (afetivo) durante a atividade física,
melhora esta que dura algum tempo depois do exercício. O autor
chega à conclusão de que existe, de fato, um efeito positivo do
exercício físico sobre o humor durante e depois do exercício,
tanto em pessoas sedentárias quanto nas ativas.
Entre as hipoteses que tentam explicar a ação
dos exercícios sobre a ansiedade e depressão, uma das mais
aceita é a hipótese das Endorfinas. Segundo Lobsteim (1991) e
Daniels (1992), a teoria da endorfina sugere que a atividade física
desencadearia uma secreção de endorfinas capaz de provocar um
estado de euforia natural, por isso, aliviando os sintomas da
depressão. Essa idéia, entretanto, não tem concenso entre os
pesquisadores. Alguns deles, como Dey (1994), por exemplo,
preferem acreditar que o exercício físico regularia a
neurotransmissão da noradrenalina e da serotonina, igualmente
aliviando os sintomas da depressão.
Outra hipótese seria a cognitiva. De natureza eminentemente psicológica,
a hipótese cognitiva se fundamenta na melhoria da autoestima
mediante a prática do exercício, sustentando que os exercícios
em longos prazos ou os exercícios intensivos melhorariam a imagem
de si mesmo e, conseqüentemente, a autoestima (Dzewaltowski,
1992).
O bom senso recomenda que sejam pensadas essas hipóteses como partes
integrantes de um mesmo sistema, não excludentes, mas integradas.
Muito embora não seja possível confirmar ainda e categoricamente
alguma relação causal explícita e direta entre a atividade física
e a redução da ansiedade e/ou da depressão, vamos adotar
algumas considerações que faz o National Institute of Mental
Health (órgão estatal norteamericano que avalia a saúdem
mental) sobre a atividade física e sua relação com o estresse e
depressão. São elas:
- a condição física se encontra positivamente ligada à saúde mental
e ao bem estar;
- a atividade física se acha associada à redução das emoções
relativas ao estresse, tais como o estado de ansiedade;
- a atividade física está ligada a uma visível redução do nível
moderado de depressão e ansiedade;
- a atividade física, em logo prazo pode ser aconpanhada por uma redução
dos sintomas neuróticos da ansiedade;
- as depressões dos tipos moderada-grave ou grave e severa podem exigir
um tratamento profissional que pode incluir a prescripção de
medicamentos, a eletroconvulsoterapia ou a psicoterapia. Para
esses casos a atividade física serveria de complemento;
- uma atividade física adeqüada se acompanha da redução de alguns
indicadores de estresse, como por exemplo, a tensão
neuromuscular, a freqüência cardíaca em reposo e alguns hormônios
relacionados ao estresse (corisol, adrenalina...);
- no plano clínico, é opinião atual que a atividade física produz
efeitos emotivos benéficos em quaisquer idades e sexos;
- as pessoas com um bom estado físico que necessitam um medicamento
psicotrópico podem praticar com total segurança uma atividade física
sob vigilância médica.
Ballone GJ - Ansiedade
e Esporte, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <www.virtualpsy.org/temas/esporte.html>2004
Referências:
-Abele
A, Brehm W – Mood effect on exercice versus sports games:
findings and implications for wellbeing and health – Int Ver
Health Psychol 1993; 2: 53-80.
-Bakker
FC. Personnalité et sport. Im: Whiting HT, vam der Brug H eds
Psychologie et pratique sportive. -Bray
SR, Martin KA, Widmeyer WN – The relationship between evaluative
concerns and sport competition state anxiety among youth skiers, J
Sports Sci 2000; 18: 353-361.
-Chapman
C, Lane AM, Brierly JH, Terry PC – Anxiety self confidence and
performance in Tae Kwon-Do. Percpt Motor Skills 1997: 85;
1275-1278.
-Clancy
J, Noyes R, Hoenk PR, Slymen DJ - Secundary depression in anxiety
neurosis. J. Nerv. Ment.
Dis.1978;166:846-50.
-Daniels
M, Martim A, Carter J - Opiate receptor blockade by naltrexone and
mood stateifter acute physical ativity - Br J Sports Med 1992; 26:
111-115.
-Debois
N, Fleurance P, D’Arripe-Longueville F - Les déterminants de l'
anxiété précompétitive em gymnastiquelémininfo, Sci Motr no.
41:2000; 33-46.-Dey
S - Physical exerdse as novel anti-depressant agent: possible role
of serotonin receptor subtypes. Psych. Behav 1994; 55: 323-329.
-Duda
JL, Chi L, Newtom ML, Walling MD, Calley D - Task and ego
orientation and intrinsic motivatiom in sport - Int J Sport
Psychol 1995; 26: 40-63.
-Dzewaltowski
D, Acevedo E, Pttay R – Influence of cardiorespiratory fitness
information on cognitions and physical ativity - Med Sci Sports
Exerc1992; 24: 524.
-Gould
D, Eclund RC, Jackson AS - 1988 US Olympic Westring excellence; I.
Mental preparation, precompetitive cognition and affect. Sport
Psychologist 1992; 358-362.
-Hanin
YL – Interpersonal and intergroup anxiety; conceptual and
methodological issues. In Speilberger CD, Hackfot D eds. Anxiety
in sports; an international perspective – Washington DC:
Hemisphere, 1989: 19-28.
-Hardy
L, Jones G, Gould D – Undertanding psychological preparation for
sport, Chichester; Willey, 1996.
-Hardy
L, Parfitt G – A catastrophe model of anxiety and performance
– Br Psychol 1991; 82: 163-178.
-Harton
S, Jones G, Mullen R – Intensity and direction of competitive
state anxiety as intepreted by rugby players and rifle shooters.
Percept Motor Skills 2000; 90: 513-521.
-Isen
AM - The influence of positive and negative affect on cognitive
organization: some implications for development. In.
Psychological and biological approaches to emotion. Hillsdale:
Lawrence Erbaum, 1990: 75-94.
-Kirkby
RJ, Liu J – Precompetition anxiety in chinese athletes. Percept
Motors Skills, 1999; 88: 297-303.
-Lader,
M - The psychopatology of anxious and depressive patients. In:
Fowlles, D.C. ed. Clinical
applications of psychopatology. N. York, Columbia University,
1975 p. 12-41.
-Laurent
E, Cury F – Valeur predective d’um modèle tridimentionnel dês
buts d’accomplissement sur la motivation intrinsèque et
l’etat d’ansiété cognitive, symposium 7 Théories de la
motivation agressivité et sport, Sci Motr no. 38-39: 1999;
107-108.
-Lazarus
RS, Folkmann S - Stress appraisal and coping, New York,
Spring-Verlag, 1984.
-Lobsteim
D, Rasmussen C – Decrease in resting plasma beta-endorphine and
depression scores after endurance training, J Sports Med Phys Fit
1991; 31: 543-551.
-Martens
R, Vealey RS, Burton D – Comparative anxiety in sport. Chapaign:
Human Kinetcs Publisher, 1990.
-Martens
R, Vealey RS, Burton D – Competitive anxiety in sport.
Champaign: Human Knetics Publisher, 1990.
-Martin
KA, Hall CR – Situational and interpersonal moderators of sport
competition state anxiety. J Sport Behav 1997; 20: 435-446.
-Morgan
WP, Excercise and mental health, Washington DC, Emisphère, 1987.
-North
TC, McCullagh P, Tran ZV – Effects of exercice on depression,
Exerc Sport Sci Rev 1990; 18: 379-415.
-Ommundsem
Y, Pedrsen BH – The role of chievement goal orientations and
perceived ability upon somatic and cognitive índices os sport
competition trait anxiety. A stud of youth athletes, Scand J Méd
Sports 1999; 9: 333-343.
-Pantedilis
D, Chamoux A, Fargeas MA, Robert A, Lac G – À onze ans ans
joueur de tennis est-il indifférent au stress de la compétition?
Arch Pédiatr 1997; 4: 237-242.
-Parfitt
G, Pates J – The effect of cognitive and somatic anxiety and
self confidence on components of performance during competition. J
Sports Sci, 1999; 17:351-356.
-Reed
J, Berg KE, Latin RW, LaVoie JP – Affective responses of
physically active and sedentary individuals during and after
moderate aerobic exercice, J Sports Méd Phys Fit 1998; 38:
272-278.
-Strian
F, Klicpera C - Anxiety and depression in affective disorders. Psychopatology,
1984; 17:37-48.
-Takemura
Y, Kikushi S, Inaba Y – Does psychological stress improve
physical performance? Thoku J Exp Med, 1999; 187: 111-120.
-Weimberg
RS, Gould D – Psycologie du sport et de l’activité psyque,
Paris: Vogot, 1997.
-Yeung
RR – The acute effects of exercice on mood state – J Psychosom
Res 1996; 40: 123-141.
-Zaichkowsky
L, Takenaka K – Optimizing arousal level. In. Singer RN, Murphey
M, Tennant LK eds. Handbook of Research on Sport Psichology. New
York, MacMillan, 1993.
|
|