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EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-SUPRARRENAL
SUPRARRENAIS E ESTRESSE

Os corticoesteróides (ou corticóides), responsáveis pelas defesas orgânicas, pelo controle das reações alérgicas e pelo equilíbrio do sal e da água, entre outras funções, são sintetizados a partir do colesterol na córtex da glândula Supra-renal. Para que as Supra-renais liberem o cortisol, que é o principal corticóide circulante naturalmente no ser humano, é necessária a ação de um outro hormônio secretado no cérebro, mais precisamente, na Hipófise. Esse hormônio é o Hormônio Corticotrófico (Corticotrofina ou, simplesmente, ACTH), como disse, de origem hipofisária.

O fator hipotalâmico que controla a síntese desse ACTH é um outro hormônio ainda, sintetizado também intra-cerebralmente, o Hormônio Liberador da Corticotrofina (corticotropin-releasing hormone, CRH) que é sintetizado no núcleo paraventricular.

A secreção do CRH, elaborado no núcleo paraventricular, é controlada por, pelo menos, dois tipos de estímulos: o estresse e o relógio biológico, responsável por todo ritmo circadiano do organismo. Pois bem. Como vimos, de uma simples reação alérgica superficial da pele, já estamos dentro do cérebro.

Esse nosso “relógio biológico” faz com que a secreção noturna de ACTH e de cortisol se faça de modo pulsátil, alcançando seu nível mais baixo na primeira metade da noite, aumentando rapidamente ao aproximar-se o despertar, quando sua secreção é máxima (entre as 6 e as 10 horas da manhã).

Para o controle desse teatro de liberação-inibição hormonal existe um mecanismo chamado de feed-back, ou seja, o próprio nível elevado de cortisol na circulação proporciona a inibição da liberação de CRH e de ACTH que, finalmente, resultará na inibição do próprio cortisol.

Se a base de liberação hormonal está situada no cérebro, então as questões cerebrais interferem diretamente na secreção de hormônios, ou seja, o estresse e a ansiedade influem nos níveis dos hormônios, ainda que estes sejam sintetizados em glândulas fora do cérebro. Estamos falando agora do eixo que liga o Hipotálamo (núcleos da base), a Hipófise e as Supra-renais. Mas existem outros eixos, tratados em outras páginas. 

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Veja a importância das Suprarrenais e Desenvolvimento Infantil

As alterações hormonais podem, de fato, induzir alterações emocionais importantes, como o excesso ou a falta de corticóides, por exemplo, que pode produzir ansiedade, depressão e estados confusionais do tipo de verdadeiras psicoses.

Os sintomas psicológicos decorrentes de disfunções hormonais ocorrem através de, pelo menos, 3 tipos de mecanismos:

1 - lesões ou alterações no hipotálamo, a hipófise ou o córtex pré-frontal.
2 - ação dos hormônios sobre os receptores específicos do cérebro.
3 - alterações metabólicas periféricas.

Portanto, os hormônios estão implicados na ativação, inibição ou modulação dos mecanismos centrais do Sistema Nervoso Central (SNC) relacionados com padrões de conduta e emoções específicas. Os hormônios hipotalâmicos, por exemplo, atuam direta ou indiretamente na regulação das emoções negativas. A ação desses hormônios, que se deve à existência de receptores específicos no SNC, podem influir na memória, na aprendizagem, na conduta sexual, na conduta maternal, na afetividade, etc.

As reações primárias do eixo eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal são moduladas pelo SNC, principalmente pela amígdala e pelo córtex pré-frontal. Em caso de reações emocionais o eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal deve ser suficiente para equilibrar o organismo, porém, quando tais reações emocionais são muito intensas, quando esta modulação não existe ou não é suficiente para contê-las, as alterações da cortisona (elevação dos 17-OHCS) são muito marcantes, de tal forma que a dosagem desse hormônio é considerado um índice sensível e objetivo do estado emocional da pessoa.

O Cortisol
Os corticóides e os hormônios androgênicos são as sustâncias mais relacionadas com o estresse. O cortisol é o  corticóide mais abundante no organismo e o DHEA é o que melhor representa os hormônios androgênicos.

Os níveis de cortisol variam segundo o ciclo circadiano, e exerce efeitos importantes sobre o metabolismo das proteínas, carboidratos e lipídeos, sobre a tonicidade dos músculos e outros tecidos, sobre a integridade do miocárdio e sobre as respostas antiinflamatórias. O cortisol influi na conservação da glicose, em na síntese de proteínas, na regulação de ácidos graxos em nos tecidos adiposos. A relação entre o cortisol e o sistema imune se comprova pela sua influência sobre os Linfócitos T, sobre o IL-2 e o interferom

Transtornos Mentais Durante a Disfunção do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal 

1 - HIPERCORTISONISMO (Síndrome de Cushing)  
O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode ter sua causas de fora da Supra-renal, ou seja, da alteração na secreção de ACTH (hiperprodução de ACTH por um tumor hipofisário, por um tumor extrahipofisário, pela administração de ACTH, etc). Pode ainda ter sua causa relacionada à própria glândula Supra-renal, como por exemplo, um adenoma ou carcinoma da córtex Supra-renal. A chamada Doença de Cushing é conseqüência da hipersecreção de ACTH hipofisária por algum tumor (adenoma basófilo ou cromófobo) que provoca uma hiperfunção das glândulas Supra-renais com conseqüente aumento de seu tamanho (hiperplasia bilateral de as glândulas Supra-renais). 

Sintomatologia Psiquiátrica
O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode provocar Depressão, Transtorno Ansioso com ou sem ataques de pânico, um Transtorno da Personalidade, ou mesmo, dependendo do grau, de uma Síndrome Delirante com alucinações (auditivas e visuais) e/ou estado confusional.

A depressão está, de fato, presente em cerca de 75% dos pacientes com Síndrome de Cushing, o que a coloca como sintoma pertencente ao quadro clínico dessa endocrinopatia. Esse quadro depressivo é caracterizado por Distimia nos casos mais leves e por Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, nos mais graves.

Por outro lado, os Episódios Maníacos ou Hipomaníacos são excepcionais nas disfunções Supra-renais, entretanto, podem aparecer como complicação do tratamento, principalmente quando este se dá com altas doses de medicamentos corticoesteróides. Aliás, por falar em medicamentos corticóides, é bom lembrar que em altas doses eles podem produzir estados confusionais, assim como profundas depressões quando há interrupção abrupta.

O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode provocar também dificuldades de concentração e déficits da memória, os quais são compatíveis com a alteração no funcionamento do hipocampo e, como sabemos, há forte correlação entre o volume do hipocampo (aumentado no hipercotisonismo) e a diminuição da cognição. 

Sinais e Sintomas
A hiperfunção da Suprarrenal tem características anatômicas. O rosto do paciente tem um aspecto arredondado, existe obesidade predominantemente no tronco (pernas mais finas) com depósito de gordura atrás do pescoço. A pele é fina com facilidade de formar equimoses e estrias (no abdome). Na face formam-se pelos (hipertricose). A hipertensão arterial é uma complicação freqüente, assim como a formação de cálculos renais, osteoporose, intolerância à glicose.

Uma das causas de hiperfunção da Suprarrenal é o quadro conhecido por Hiperplasia Suprarrenal Congênita. Não há, na hiperfunção devido à Hiperplasia Suprarrenal Congênita, superprodução de hormônios androgênicos (DHEA e androstenodiona), portanto, não ocorre o fenômeno chamado virilização mas, mesmo assim, em mulheres com este problema não ocorrem menstruações devido à deficiência de hormônios estrogênicos. Outra causa de hiperfunção da Suprarrenal são os tumores virilizantes dessas glândulas. Os tumores virilizantes da supratrenal são raros, felizmente, com uma incidência estimada 1 caso por 1,7 milhões de pessoas. Nestes casos haveria virilização com puberdade precoce.

Na Síndrome de Cushing, os níveis sanguíneos de cortisol são sempre altos, já que as Supra-renais estão hiperfuncionantes e, ao contrários dos normais, não se pode observar variação nesses níveis entre o sangue colhido de manhã e durante o dia.

Para o diagnóstico laboratorial existem 2 testes úteis; a inibição do ACTH e do cortisol por injeção de dexametasona (um corticóide sintético) e o teste de estimulação do ACTH e de11-desoxicortisol mediante a metirapona (que bloqueia a ll-hidroxilação de os precursores do cortisol). Estes dois testes permitem determinar se a hiperfunção Suprarrenal é produzida por alguma alteração dela própria (primária), ou se é originada no Sistema Nervoso Central (secundária).  

2 - HIPOCORTISONISMO  
A hipofunção das glândulas Supra-renais também, como ha hiperfunção, pode ser de origem primária (Doença de Addison) ou secundária. Na sua forma secundária é conseqüência de uma hipofunção da hipófise, a qual pode ser ocasionada por lesão da própria hipófise, do hipotálamo (onde se situa a hipófise), por necrose isquêmica dessa região cerebral ou por excesso de corticoterapia. Na grande maioria das vezes a hipofunção é de origem primária e, em 70% dos casos, não se sabe a causa. Inúmeros casos são causados por razões auto-imunes. 

Sintomatologia psiquiátrica
A maioria dos pacientes com insuficiência Suprarrenal (hipofunção) apresenta algum transtorno emocional discreto, tal como apatia, astenia ou irritabilidade. Há, com freqüência, queixas somatizadas de dores pelo corpo, notadamente nas pernas. Na metade dos casos existe  uma depressão leve ou moderada com comorbidade para ansiedade. Sem dúvida, a característica principal de uma insuficiência Suprarrenal gira em torno da fadiga crônica, insônia e anorexia, geralmente levando à perda de peso. 

Sinais e Sintomas
A insuficiência Suprarrenal é acompanhada sempre de fatiga, anorexia, perda de peso, náuseas, vômitos, dores abdominais ou de estômago, diarréia, dores nas juntas, hipotensão arterial e hiperpigmentação da pele (pele escura), exceto nos casos secundários.

Para o diagnóstico da insuficiência Suprarrenal primária (Doença de Addison), a dosagem de cortisona no sangue é baixa, porém, os níveIs de ACTH são altos. Observa-se ausência de estimulação da Suprarrenal quando se administra ACTH (teste para diagnóstico).

Quando, por outro lado, a insuficiência Suprarrenal é conseqüência de uma insuficiência da hipófise, as concentrações sangüíneas de ACTH e de cortisol são baixas e existe uma resposta da glândula quando se administra ACTH.   

Sintomas:
Debilidade, fadiga, perda de peso.
Anorexia, náuseas, vômito, fome pelo sal.
Diarréia, dor abdominal.
Alterações pigmentárias da pele.
Desidratação, hipotensão arterial ortostática.
Hipoglicemia com períodos de confusão mental
Vitiligo(10%)
Artralgias, mialgias, rigidez muscular.
Alterações emocionais, ansiedade, irritabilidade.
Coração menor
Hiperplasia do tecido linfóide
Poucos pelos axilares e púbicos
Amenorréia e diminuição da libido

 

"É no Sistema Límbico que tem início a função psíquica de avaliação da situação, dos fatos e eventos de vida. Essa avaliação depende sempre de vários elementos, tais como, a personalidade prévia, a experiência vivida, as circunstâncias atuais e as normas culturais.

Acontecem também a partir do Sistema Límbico, as diversas interações entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, promovendo as interações das percepções córticocerebrais com o hipotálamo.

O Estresse, como dissemos, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é um termo que compreende um conjunto de reações fisiológicas, as quais, quando exageradas em intensidade e duração, acabam por causar desequilíbrio no organismo, freqüentemente com efeitos danosos.

As primeiras constatações do Estresse emocional foram relatadas em 1943, ao se comprovar um aumento da excreção urinária dos hormônios da Glândula Suprarrenal em pilotos e instrutores aeronáuticos em vôos simulados e, alguns anos antes essas alterações já haviam sido suspeitadas em competidores de natação, momentos antes das provas.

O conceito original de Estresse foi apresentado antes (1936) pelo pesquisador canadense de origem francesa Hans Selye a partir de experimentos, onde animais eram submetidos a situações agressivas diversas (estímulos estressores), e cujos organismos respondiam sempre de forma regular e específica.

Selye descreveu toda ocorrência do Estresse sob o nome de Síndrome Geral de Adaptação, a qual comportava três fases sucessivas: alarme, resistência e esgotamento. Após a fase de esgotamento, observava o surgimento de algumas doenças, tais como a úlcera péptica, a hipertensão arterial, artrites e lesões miocárdicas.

Existe uma sensibilidade (afetiva) pessoal e particular em cada um de nós, constituindo um conjunto de mecanismos dos quais o organismo lança mão quando reage aos agentes particularmente tidos como estressores, caracterizando a forma como cada pessoa avalia e lida com estas situações. Essa sensibilidade pessoal à realidade explica por que avaliamos desta ou daquela forma as situações tidas como desafiadoras, en-frentando-as ou não, e reagindo a elas de maneiras particulares e pessoais, "permitin-do" assim que elas exerçam maior ou menor repercussão sobre o organismo." (veja esta página)

 

Veja um trecho de nossa página sobre Esgotamento:

"Ansiedade, Estresse e Esgotamento são termos de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que se chama vida moderna.

Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como sendo formas de algum transtorno mental, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, diante da possibilidade de sermos afetados, pelo menos alguma vez na vida, pelo Estresse, pelo Esgotamento ou pela Depressão, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional.

Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação.

Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.

Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça.

De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente, terá de superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.

Do ponto de vista psíquico o Estresse se traduz na Ansiedade. A Ansiedade é, assim, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante." (veja a página)

 

EMOÇÕES E EIXO HIPOTÁLAMO-HIPOFISÁRIO-SUPRARRENAL

As emoções compreendem nossos sentimentos e estados de ânimo, bem como sua expressão em condutas motoras e as respostas do Sistema Nervoso Autônomo e Endócrino. Portanto, as emoções compreendem tanto as experiências subjetivas, como também as alterações fisiológicas concomitantes. Habitualmente as emoções são classificadas de acordo com o sentimento que determinam, ou seja, como agradáveis, desagradáveis ou neutras (veja Emoções e Sentimentos).

A expressão orgânica das emoções está baseada, principalmente, nas reações neurovegetativas ou, como preferem alguns, autonômicas (do Sistema Nervoso Autônomo). Essas reações neurovegetativas são, em boa parte, inatas, hereditárias e típicas da espécie. Outras vezes podem ser adquiridas.

As reações emocionais neurovegetativas inatas são próprias da espécie e têm uma importante função adaptativa. As reações emocionais neurovegetativas adquiridas resultam das primeiras experiências e necessidades de adaptação dos recém nascidos em sua inter-relação com o meio.

Qualquer animal, por exemplo, que enfrenta uma agressão apresenta uma alteração neurovegetativa (autonômica) através do aumento da freqüência cardíaca e respiratória; suas pupilas se dilatam, sua função digestiva se inibe e se ereção dos pelos, etc. Isso é o que se vê exteriormente. Internamente, entretanto, uma verdadeira revolução orgânica acontece, principalmente em relação ao eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal.

Nos seres humanos essas reações acontecem mesmo na ausência de agressões objetivas, podendo ser desencadeadas por emoções e sentimentos. As alterações emocionais se traduzem em modificações quantitativas e qualitativas da atividade autonômica em diversos órgãos e sistemas. Durante o medo, por exemplo, a pele da face e as mucosas ficam mais pálidas, durante a fúria ficam mais vermelhas.

Eixo Hipotálamo-Hipofisário-Suprarrenal no Estresse

As respostas fisiológicas aos diversos tipos de estressores são parecidas entre as pessoas (e animais). Essas alterações têm sempre, basicamente,  uma função adaptativa às exigências da situação causadora do estresse (veja Estresse). No SNC as reações emocionais são integradas pelo hipotálamo e pelo córtex pré-frontal, que coordenam as ações do Sistema Nervoso Autônomo e o Sistema Neuroendócrino.

A mobilização do organismo para adaptação ativa o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal resultando nas alterações globais do organismo que, de modo geral, chamamos de estresse e Hanz Selye chamava de Síndrome Geral de Adaptação (SGA). Trata-se da ativação fisiológica do organismo por um estímulo que requer uma tomada de atitude, o qual só será considerado estresse propriamente dito, e nocivo, quando for intenso e/ou contínuo. Nessa fase se produziria hiperplasia da córtex supra-renal, involução do timo e podem aparecer úlceras de estômago.

O estresse causa elevação dos níveis de cortisol, os quais perduram enquanto o estímulo estressante persiste. Portanto, os estressores crônicos causam níveis de cortisol persistentemente elevados, levando o organismo a um estado de hipercortisonismo. A elevação continuada de cortisol, por sua vez, pode atrofiar os receptores de corticóides no hipocampo e assim causar mais estresse ainda, fazendo uma espécie de círculo vicioso. A depressão causa hipercortisonismo também, o qual se manifesta com níveis de cortisol matinal e noturno significativamente aumentados . 

Nos casos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, considerado no DSM-IV como uma das modalidades dos Transtornos Ansiosos provocado por uma forte tensão ambiental, as anomalias do eixo Hipotálamo-Hipofisário-Suprarrenal são diferentes das alterações observadas nos casos de Depressão.

No Transtorno de Estresse Pós-Traumático a secreção do Hormônio Liberador da Corticotrofina (CRH) está aumentada e do cortisol diminuída. Os níveis de CRH são pesquisados no liqüor. No sangue periférico, contrariamente ao que seria de se esperar, já que há aumento do CRH, o cortisol se encontra diminuído, principalmente pela manhã e ao final da tarde.

Sob essa ótica, o cortisol pode ser considerado como um hormônio anti-estresse, uma vez que, quando os níveis de cortisol se encontram demasiadamente baixos, falham os mecanismos de adaptação e se desenvolve um estado de estresse crônico. O que gera alguma polêmica é saber se as alterações nos níveis de cortisol são uma conseqüência direta do trauma que leva ao estresse ou, ao contrário, se uma insuficiência de cortisol que já existia antes é que leva à falência adaptativa do estresse crônico.

As influências do estresse sobre o Sistema Endócrino são muitas e globais, começando sempre pelo eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. Essas alterações psíco-neuro-endócrinas causadas pelo estresse nocivo, podem ser resumidas da seguinte forma, segundo Daniel M. Campagne:

1. A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal produz hipersecreção de cortisol, por elevação de a ACTH. Esta alteração se normaliza ao desaparecer a depressão. Não só se alteram os níveis dos hormônios, como também se altera o ritmo circadiano do cortisol. 
2. Estudando-se o
eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, observa-se claramente a relação entre o estado de ânimo e o hipotireoidismo subclínico. Na depressão, a tireotropina (TSH), secretada na hipófise, passa a responder menos ao seu hormônio liberador, o TRH. Mas o desânimo e a apatia da depressão não só podem reduzir essa resposta, senão também aumentá-la ou retardá-la, ou seja, de qualquer forma essa resposta está alterada na depressão. O cortisol é capaz de interromper  a liberação dos hormônios tereoideanos. 
3. O
eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal regula a liberação do hormônio do crescimento (GH). Através do hormônio liberador de GH (GHRH) ativa a secreção do GH e com a somatostatina inibe, ambos hormônios são controlados pelos neurotransmissores clássicos, ou seja, a noradrenalina, a dopamina, a acetilcolina e a serotonina. 
O GH se libera em função de diversos fatores, como por exemplo, durante o exercício físico, durante a fase de ondas lentas do sono , na hipoglicemia, ou diante de sustâncias como a L-dopa, o 5- hidroxitriptofano, a ACTH, a apomorfina ou a clonidina. E todos seus níveis estão reduzidos na depressão.

Em termos clínicos, importante salientar que as alterações no eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal podem proporcionar, nos casos de estresse crônico, um estado de esgotamento da capacidade adaptativa conseqüente à falência hormonal das suprarrenais (veja Esgotamento).

Veja a importância das Suprarrenais e Desenvolvimento Infantil

para referir:
Ballone GJ - Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.virtualpsy.org/psicossomatica/hipofise.html> 2003

 

Copyright © G.J.Ballone