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ENDOCRINOLOGIA E PSICOSSOMÁTICA |
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Opção
Somática |
SUPRARRENAIS E DESENVOLVIMENTO INFANTIL Dentro da visão moderna sobre o desenvolvimento da personalidade, o mais sensato e atual é o modelo bio-psico-social, quer dizer, o desenvolvimento como resultado de uma interação entre o biológico, o psicológico e o social. A medicina, por sua vez, tem se ocupado da questão procurando identificar complicados mecanismos pelos quais os fatores psicológicos e sociais se entrelaçam ao longo do desenvolvimento biológico infantil, tornando cada pessoa um reflexo de sua constituição, moldada por suas vivências emocionais e pelas circunstâncias ambientais. Na formação (boa ou não) da personalidade, os primeiros meses de vida são de importância vital, principalmente quando consideramos a formação do Temperamento e a qualidade do Apego. A psiquiatria biológica desenvolve interessantes trabalhos que relacionam o desenvolvimento do Temperamento com a função do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, que é o principal representante biológico dos mecanismos de adaptação. Muitos trabalhos mostram alterações na função do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal e, conseqüentemente, com a secreção de cortisol quando a criança é submetida a estímulos estressores, bem como alterações desse eixo mais comuns em crianças emocionalmente problemáticas. |
Índice de Endocrinologia Psicossomática Diabetes
e Depressão Índice de Dermatologia Psicossomática Delírio
Parasitário Índice de Cardiologia Psicossomática
- Psicossomática |
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Cortisol, Adaptação, Estresse e Desenvolvimento Infantil. Os corticóides e os hormônios androgênicos são as sustâncias mais relacionadas com o estresse, sendo o cortisol, produzido nas glândulas suprarrenais, o corticóide mais abundante no organismo. Os níveis de cortisol variam segundo o ciclo circadiano (dia e noite), e exercem efeitos importantes sobre o metabolismo das proteínas, carboidratos e lipídeos, sobre a tonicidade dos músculos e outros tecidos, sobre a integridade do miocárdio, sobre as respostas inflamatórias. Portanto, o cortisol está diretamente relacionado à adaptação do organismo às exigências do meio externo ou interno, evidenciando a íntima relação entre a glândula suprarrenal, produtora deste hormônio, com o estresse, incluindo a modulação do sistema imune. A avaliação da atividade da glândula suprarrenal implica na avaliação do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal (veja Suprarrenais e Estresse), um dos sistemas neuroendócrinos mais importantes para a resposta fisiológica ao estresse. Portanto, relacionar as variações no nível do cortisol com as circunstâncias vividas pela pessoa, pode sugerir se essas vivências estão sendo estressantes para a pessoa e, também, se esta pessoa está tendo uma mobilização orgânica para adaptar-se a elas. O que se vê em algumas pesquisas, abaixo referidas, é que as crianças hiperativas, impulsivas e com problemas de atenção apresentam níveis de cortisol maiores que as outras, sugerindo maiores dificuldades adaptativas, maiores solicitações orgânicas diante das circunstâncias. Vê-se também, que em idade precoce, as dificuldades no vínculo (afetivo) entre a criança e o cuidador (seja a mãe, a instituição, etc) repercutem na atividade do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, quiçá configurando, precocemente, uma maneira da pessoa reagir à vida que perdurará por muito tempo. O estresse experimentado pela criança é uma das mais importantes variáveis biológicas no desenvolvimento infantil, por isso, os níveis sangüíneos de cortisol, que se relaciona diretamente ao estresse, têm sido bastante pesquisado em crianças. Um dos meios de pesquisar o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal em relação ao estresse é através da dosagem de cortisol na saliva, pois, como se sabe, cerca de 30 minutos após algum estímulo adequado como, por exemplo, o medo, susto, variação brusca de temperatura, etc, ocorrem alterações do cortisol evidenciadas pelo exame da saliva (Escosteguy, 2002/03). Bruce, Davis e Gunnar (2002) pesquisaram os níveis de cortisol na saliva de 35 crianças que iniciaram o curso escolar, colhendo amostras no primeiro dia de aula, mais estressante, no quinto dia e nos finais de semana. Verificaram que o cortisol do sangue é bastante mais elevado no primeiro dia de aula, como indício de um esforço adaptativo maior e conseqüente mobilização orgânica através do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. No quinto dia e no final de semana o nível desse hormônio não se mostrava mais elevado, sugerindo assim adaptação da criança à circunstância vivida. Um dado interessante dessa pesquisa foi a constatação de que as crianças mais impulsivas, hiperativas e inquietas apresentavam o cortisol aumentado ainda no quinto dia, refletindo assim alguma dificuldade adaptativa maior ou mais durável. Em outra pesquisa (1997) Gunnar mostrou que crianças pré-escolares socialmente competentes apresentam atividade das suprarrenais elevada no início do ano escolar, normalizando no final do ano, entretanto, as crianças com maiores dificuldades de adaptação escolar mostraram alta atividade das suprarrenais tanto no início quanto no final do ano. Esses resultados podem sugerir relações entre temperamento, competência social e reação neuro-endócrina ao estresse. Para se ter uma idéia da importância do eixo
hipotálamo-hipófise-suprarrenal na atividade infantil, Watamura
(2002) analisou os níveis de cortisol em crianças de creche antes do
momento do repouso e durante o repouso (sesta). O cortisol estava
elevado em 91% das crianças durante as atividades do dia e antes do
repouso, mas 75% delas tiveram os níveis diminuídos durante o
repouso. Considerando, então, que o controle das reações emocionais e a atenção são elementos fundamentais para a socialização da criança, o desempenho do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal é igualmente importante para esse aspecto do desenvolvimento infantil. As crianças mais "estressadas" mobilizam muito mais o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal e secretam, pois, mais cortisol. Tenta-se assim, estabelecer uma relação entre a secreção de cortisol aumentada com alterações infantis de atenção e comportamento. |
"É no Sistema Límbico que tem início a função psíquica de avaliação da situação, dos fatos e eventos de vida. Essa avaliação depende sempre de vários elementos, tais como, a personalidade prévia, a experiência vivida, as circunstâncias atuais e as normas culturais. Acontecem também a partir do Sistema Límbico, as diversas interações entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, promovendo as interações das percepções córticocerebrais com o hipotálamo. O Estresse, como dissemos, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é um termo que compreende um conjunto de reações fisiológicas, as quais, quando exageradas em intensidade e duração, acabam por causar desequilíbrio no organismo, freqüentemente com efeitos danosos. As primeiras constatações do Estresse emocional foram relatadas em 1943, ao se comprovar um aumento da excreção urinária dos hormônios da Glândula Suprarrenal em pilotos e instrutores aeronáuticos em vôos simulados e, alguns anos antes essas alterações já haviam sido suspeitadas em competidores de natação, momentos antes das provas. O conceito original de Estresse foi apresentado antes (1936) pelo pesquisador canadense de origem francesa Hans Selye a partir de experimentos, onde animais eram submetidos a situações agressivas diversas (estímulos estressores), e cujos organismos respondiam sempre de forma regular e específica." (veja esta página)
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Veja um trecho de nossa página sobre Esgotamento: "Ansiedade, Estresse e Esgotamento são termos de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que se chama vida moderna. Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como sendo formas de algum transtorno mental, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, diante da possibilidade de sermos afetados, pelo menos alguma vez na vida, pelo Estresse, pelo Esgotamento ou pela Depressão, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional. Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão. Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente, terá de superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência. Do ponto de vista psíquico o Estresse se traduz na Ansiedade. A Ansiedade é, assim, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante." (veja a página)
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Suporte Afetivo da Criança (Teoria do Apego), Estresse e Personalidade A Teoria do Apego (John Bowlby) diz respeito à interação entre a pessoa que cuida, geralmente a mãe, e a criança, constituindo uma das condições mais importantes na formação das respostas da criança aos estímulos estressores, não só nas fases precoces do desenvolvimento mas, sobretudo, com repercussões na formação futura do temperamento. Por isso, a Teoria do Apego é também chamada Teoria da Regulação do Afeto (Feeney, Noller e Patty, 1993), ou seja, na capacidade da pessoa ajustar-se afetivamente às exigências externas ou internas, ou seja, na formação de seu temperamento. Vejamos algo sobre o Temperamento. A parte da personalidade entendida como Temperamento representa a maneira como a pessoa lida com os estressores, enfim, de que forma a pessoa reage à vida (através do afeto ou humor). O Temperamento é uma parte constitucional da personalidade, ou seja, ela faz parte do potencial biológico da pessoa e se desenvolve com ela como, por exemplo, sua estatura. A despeito de a estatura ser constitucional, sofre influências (limitadas) do meio, tal como ocorre com o temperamento. Imaginemos que uma criança tenha potencial hereditário de ser alta, mas, num determinado momento de seu desenvolvimento, faltou-lhe proteínas suficientes, resultando em um indivíduo não tão alto quanto poderia. Isso é a influência do meio sobre um determinante constitucional. Apego e temperamento no bebê sempre foram objetos de
pesquisas. Rothbart (2000, 2001) define o temperamento como "as
diferenças individuais constitucionais de reatividade e
autoregulação", entendendo-se como "constitucionais"
as bases orgânicas da personalidade, determinadas pela
hereditariedade e influenciadas pelo desenvolvimento e pela
experiência. No desenvolvimento precoce da criança, portanto, a mãe (ou quem cuida) "empresta" a função de regulador de emoções à criança, contribuindo para a formação da parte ambiental do temperamento (já que outra parte é constitucional). Segundo a hipótese da Teoria do Apego, a partir de repetidas experiências as crianças desenvolvem expectativas a respeito das interações entre ela e o mundo (incluindo e principalmente a figura do apego). Por exemplo, a repetida experiência de ser alimentada cada vez que sentir fome, leva à expectativa de ter esse tipo de sofrimento prontamente atendido e assim por diante. Estudos em roedores e primatas sugerem que a função do sistema hipotálamo-hipófise-suprarrenal do indivíduo adulto pode ser modulada por experiências sociais durante o desenvolvimento precoce. Gunnar (2002) estudou a sensibilidade dos níveis de cortisol à qualidade dos cuidados aos bebês e crianças, evidenciando também que as crianças mais temperamentais ou emocionalmente problemáticas são aquelas que exibiam maiores elevações no nível de cortisol sob circunstâncias de cuidados insatisfatórios. Tal constatação nos remete à dúvida do "ovo ou a galinha?" ou seja, da dúvida em saber se as crianças submetidas à cuidados precoces insatisfatórios ou negligentes desenvolvem uma resposta exagerada do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, por isso tornando-se emocionalmente problemáticas ou, ao contrário, se essa alteração no eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal seria uma causa fisiológica e orgânica (hereditária ou não) das crianças emocionalmente problemáticas, agravadas quando elas fossem submetidas à cuidados insatisfatórios. Essa questão é ainda bastante controversa: se o temperamento da criança influi sobre a qualidade do Apego, ou, ao contrário, se é a atitude do cuidador (mãe) e o tipo de Apego disso decorrente que influem sobre o temperamento da criança. Em uma de suas muitas pesquisas, Gunnar (1992) avaliou também as respostas suprarrenais de crianças em diferentes situações de estresse, tentando verificar as alterações hormonais, de conduta e emocionais provocado pela separação da mãe, substituída por uma babá. Os resultados demonstraram que os bebês reagem à separação das mães conforme o comportamento das babás. Os bebês que foram cuidados por babás afetuosas apresentaram alterações de cortisol salivar menores que as demais, bem como uma menor freqüência de afetos negativos. Isso pode sugerir que as diferenças individuais e constitucionais no temperamento emocional da criança não devem ser o único fator que determina as reações da criança diante das separações, e que a qualidade do cuidador substituto pode ter importante papel (Escosteguy, 2002).
para referir:
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Referências Bibliográficas 1. Bruce J, Davis EP, Gunnar MR - Individual
differences in children's cortisol response to the beginning of a new
school year. Psychoneuroendocrinology. 2002 Aug;27(6):635-50 |
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Copyright © G.J.Ballone |