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- Estimulação Magnética Transcraniana

- Anais do XXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria

 

 

 

 

VALlDAÇÃO DA ESCALA DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO DE EDINBURGH (VERSÃO EM PORTUGUES) NO NORDESTE DO BRASIL

Cantilino, A, Albuquerque, C, Cantilino, G, Maia, A, Sougey, E 

A depressão pós-parto é vivenciada por 10 a 20% das mulheres que recentemente deram a luz. A qualidade de vida experienciada por estas mulheres é gravemente comprometida. Porém, apenas uma pequena proporção delas é identificada por profissionais de atendimento primário.

A Escala de Depressão Pós-parto de Edinburgh (EPDS) é um instrumento desenhado especificamente para triagem desse transtorno do humor e tem sido amplamente utilizada. No Brasil, há um estudo de validação bem sucedido de uma versão em português conduzido em Brasília, contudo a amostra foi composta por mulheres de alto nível social e escolar. Isto demandou um estudo de validação no nordeste, onde há um perfil cultural, social e escolar diferente.

Neste desenho metodológico um total de 120 mulheres do Recife no pós-parto preencheram a EPDS e em seguida foram submetidas a uma entrevista diagnóstica do DSM-IV, que foi usada
como padrão-ouro. Dezesseis (13, 3%) das mulheres foram diagnosticadas com depressão pós-parto pela entrevista. Usando o ponto de corte recomendado pela publicação (11/12) para depressão, a EPDS conseguiu sensibilidade= 94%, especificidade= 85%, valor preditivo positivo= 48%, valor preditivo negativo= 99% e acurácia= 86%.

Baseado nesses resultados, a EPDS pode ser considerada válida para uso na triagem de depressão pós-parto no nordeste.

*Cantilino, A, Albuquerque, C, Cantilino, G, Maia, A, Sougey, E
Universidade Federal de Pernambuco
Rua Visconde de Barbacena, 329. Apto. 503. Cidade Universitária. Recife. PE. CEP: 50740-445.
Fone/Fax: Oxx81. 3272. 8517.
amaury.cantilino@bol. com.br

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MANIA INDUZIDA POR ANTIDEPRESSIVO: UM ESTUDO PROSPECTIVO E CONTROLADO

Renata, S T

Objetivos: 
Comparar as características clínicas de episódios de mania espontânea e mania induzida por antidepressivo em pacientes bipolares.
Métodos: Setenta pacientes com Transtorno Bipolar admitidos consecutivamente no Proman - Programa de Assistência e Pesquisa em Transtorno Bipolar foram seguidos prospectivamente por um período de 18 meses. 

Pacientes que preenchiam critérios diagnósticos para Transtorno Bipolar segundo o DSM-IV e apresentavam pontuação na Escala de Mania de Young maior ou igual a 12 foram incluídos e avaliados no início de episódio. As características clínicas e demográficas foram comparadas entre pacientes com mania espontânea e mania induzi da por antidepressivo.

Resultados: 
Durante o seguimento, 24 pacientes apresentaram um episódio de mania, sendo 12 episódios de mania espontânea e 12 de mania induzida. A mania induzida por antidepressivo se associou a uma maior relação feminino/masculino e ocorreu em pacientes mais velhos e com maior tempo de duração da doença. Estes pacientes apresentaram episódios mais leves, com menor incidência de sintomas psicóticos, e a maioria deles foi tratada ambulatorialmente.

Conclusão: 
Nossos resultados sugerem que pacientes bipolares mais velhos e do sexo feminino podem ser mais vulneráveis à indução de mania por antidepressivo, e que estes episódios são significativamente menos graves e com menor incidência de sintomas psicóticos quando comparados à mania espontânea.

 

 

DEPRESSÃO E ESCLEROSE MÚLTIPLA

Antonio, S A F.

INTRODUÇÃO: 
A associação entre depressão e esclerose múltipla (EM) apresenta prevalência que varia de 35 a 54%, sendo que 15% dos portadores de EM morrem por suicídio com taxa de suicídio entre esses doentes 7, 5 vezes maior que na população geral. Estudos apontam para uma base fisiopatológica comum entre essas patologias, onde lesões neurológicas que desconectam regiões do córtex entre si ou corticais-subcorticais levam a sintomas depressivos em maior freqüência. 

Evidências apontam para desconexão temporo-frontal causada pela lesão do fascículo arqueado; para atividade inflamatória da EM que pode gerar alterações endrócrinas, mediadas pelo hipotálamo e para determinar base genética comum entre essas patologias.

OBJETIVO:
 Constatar a prevalência de depressão maior em pacientes com EM tratados no ambulatório de Neurologia em Salvador-BA.

MÉTODO:
Portadores de EM, sem surto e distúrbio cognitivo, acompanhados na Fundação de Neurologia. Nesses pacientes foi aplicado o Inventário de Beck para Depressão, de auto-avaliação. Os pontos de corte utilizados foram os que Kendall et ai. (1987) recomendam: escores acima de 15 para detectar disforia e depressão para escores acima de 20.

RESULTADOS: 
Entre 59 pacientes portadores de EM, 27(45, 8%) apresentaram diagnóstico de depressão maior, e desses, 41, 7% têm ideação suicida.

DISCUSSÃO: 
O presente estudo traz a lume achados que são congruentes com a literatura, salientando a necessidade da realização de novos trabalhos para melhor entendimento dessa associação nosológica.

 

 

JUÍZO CRÍTICO SOBRE A DOENÇA EM PACIENTES COM DOENÇA DE ALZHEIMER: RESULTADOS PRELIMINARES

Dourado, M; Laks, J; Leibing, A; Engelhardt, E.

Objetivo:
Estudar associação entre juízo crítico sobre a doença e evolução da doença de Alzheimer. Método: Pacientes com DA leve/moderada (n=35), atendidos no CDA-IPUB/UFRJ, avaliados em corte transversal. Instrumentos: Escala de Avaliação do Impacto Psicossocial do Diagnóstico de Demência (APSID), Mini-exame do Estado Mental (MEEM) e Estadiamento Clínico das Demências (CDR).

Resultados:
Observou-se crítica da doença, total ou parcial, em 77% dos pacientes. No estágio leve (n=18), 72% dos pacientes tem juízo crítico dos sintomas cognitivos e dos prejuízos causados na vida cotidiana. Encontrou-se juízo parcial ou sua ausência em 27% dos pacientes. No estágio moderado (n=17), 23. 5% tem juízo crítico sobre a doença, em 47% somente a noção sobre presença de sintomas cognitivos. A ausência total de juízo crítico foi encontrada em 23. 5% dos pacientes.

Conclusão:
O juízo crítico sobre a doença é uma função complexa que não deve ser avaliada apenas como presença ou ausência. Dados preliminares sugerem que a crítica da doença está associada à evolução da demência, com impacto nas atividades de vida diária e manejo clínico dos casos.

 

Dourado, M; Laks, J; Leibing, A; Engelhardt, E.
Centro para Doença de Alzheimer e Outros Transtornos Mentais na Velhice -CDA/IPUB-UFRJ Av. Vences/áu Brás, 71 -fundos (21) 2275-1122 -Rio de Janeiro -RJ marciacndourado@terra. com. br

O USO DA ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA DE BAIXA FREQÜÊNCIA COMO MEDIDA TERAPÊUTICA PARA A DEPRESSÃO: ACHADOS

Boechat-Barros, R; Mota-Silveira, D A; Brasil-Neto, J P. boechat@unb

Objetivo:
Avaliar o potencial terapêutico da estimulação magnética transcraniana em pacientes deprimidos, bem como avaliar a segurança dessa técnica.

Método:
Foram estudados nove pacientes com diagnóstico de episódio depressivo maior segundo o DSM -IV. Nestes pacientes foram aplicados a escala Hamilton de 17 itens em três momentos: T1 -antes da primeira aplicação, T2 -na metade do estudo e T3 -no final do mesmo, com o objetivo de quantificar uma possível melhora. Foram aplicadas 8 sessões de estimulação magnética transcraniana de baixa freqüência -0,5 Hz.

Resultados:
Todos os pacientes apresentaram melhoras nas suas pontuações pela escala de Hamilton, porém apenas 4 dos 9 tiveram melhora da mais de 50 % entre T1 e T3.
Conclusão: A diminuição contínua da pontuação de 5 dos 9 pacientes pode sugerir que um número maior de sessões leve a uma melhora ainda maior dos seus quadros clínicos.

 

Boechat-Barros, R; Mota-Silveira, D A; Brasil-Neto, J P. Laboratório de Neurociências e Comportamento. Departamento de Ciências Fisiológicas, Instituto de Ciências Biológicas,
ICC sul módulo 8, Universidade de Brasí!ia -70910-900, Brasí!ia -DF- Brasil.

PREVALÊNCIA DE PEDOFILIA: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE CASOS FORENSES

Maia, O; Faria, V; Laks, J.

OBJETIVOS:
Avaliar prevalência de pedofilia em acusados de crimes sexuais contra crianças. Comparação com literatura médica do assunto.

MÉTODO:
Análise retrospectiva de perícias de acusados de crimes sexuais contra crianças na Junta Médica do Judiciário de Goiás, Janeiro de 2000 a Junho de 2003.Utilizou-se diagnóstico de Pedofilia CIO 10 e se examinou idade, educação e comorbidades.

RESULT ADOS:
Do total de perícias (n=1022), 3, 42% (n=35) foram crimes sexuais contra crianças, todos indiciados masculinos.

Foram diagnosticados Pedófilos 17, 14% (n=6), um comórbido com alcoolismo, 17, 14% (n=6) Anti- sociais, 17, 14% (n=6) Retardo Mental, 8, 57% (n=3) Esquizofrênicos, 14, 28%(n=5) Alcoolismo e outros diagnósticos e 25, 71 % (n=9) Normais.

A média de idade dos pedófilos foi superior à idade dos normais (p<0. 001), sem diferença significativa na escolaridade.
Pedófilos e Esquizofrênicos fizeram vítimas somente meninas. Dos pedófilos, dois admitiram desejo sexual por criança.

CONCLUSÃO:
A prevalência de pedófilos foi de 17, 14%. Não há dados para comparar na literatura.
A média de idade dos pedófilos foi maior que os demais, todos heterossexuais, não exclusivos. Apenas dois admitiram desejo por crianças, apontando para necessidade de instrumentos de avaliação mais acurados na situação forense.

 

Maia, O; Faria, V; Laks, J.
Junta Médica do Judiciário de Goiás e IPUB-UFRJ

FATORES DE RISCO ASSOCIADOS A DEPRESSÃO PÓS-PARTO NA CIDADE DE PORTO ALEGRE.

Tannous, L; Gigante, L P; Busnello, EDA.

Objetivo:
Estudar a distribuição de alguns fatores de risco associados a depressão pós-parto em mulheres residentes na cidade de Porto Alegre.

Método:
Foi realizado estudo transversal em amostra representativa de mulheres residentes em Porto Alegre para determinar a prevalência de depressão pós-parto após a 60 semana do parto e identificar fatores de risco associados.

Foram estudados os seguintes iatores de risco, avaliados quanto a sua presença ou não, utilizando questionário padronizado: dados demográficos, sócio-econômicos, obstétricos, antecedentes psiquiátricos pessoal e familiar, eventos da vida estressantes ocorridos nos últimos 6 meses, relacionamento conjugal.

As variáveis categóricas foram estudadas através da distribuição de freqüências e as contínuas através da média e desvio padrão. Análises uni e bivariadas foram realizadas utilizando-se como medida de efeito a razão de prevalência (RP) e seus intervalos de confiança.

Resultados:
Os fatores de risco que apresentaram associação foram: variáveis demográficas, sócio-econômicas, antecedentes psiquiátricos familiar e da mãe, eventos estressantes e satisfação com o relacionamento.

Conclusões:
Os fatores de risco encontrados na cidade de Porto Alegre são semelhantes aqueles identificados em estudos realizados em sociedades ocidentais industrializadas.

 

Tannous, L; Gigante, L P; Busnello, EDA. PPGM:Ciências Médicas, UFRGS;"Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, ULBRA.

A PERSONALIDADE EM CRIMINOSOS HOMICIDAS

Serafim, A P. e Rigonatti, S P.

O homicídio associado à psicopatologia desperta o interesse de pesquisadores no tocante aos transtornos da personalidade que têm estreita correlação com este crime. A Personalidade Anti- social (PAS) está associada a crimes de grande impacto social, pela brutalidade de alguns indivíduos. Este estudo investigou os aspectos sociais, o comportamento e a personalidade de 07 condenados por homicídio em São Paulo.

O estudo seguiu os critérios da Hare Revised Psychopathy Checkilist (PCL-R): fator 1, distanciamento emocional e imparcialidade (empatia superficial; manipulação; afetos superficiais; ausência de culpa ou remorso) e 2 -comportamento anti-social (desvios em idade precoce; agressividade; impulsividade; irresponsabilidade e versatilidade criminal). Houve uma prevalência do fator 02 em 05 dos 07 casos, prevalecendo: superestima; descontroles comportamentais; de conduta na infância; impulsividade; delinqüência juvenil; revogação da liberdade e versatilidade criminal; e fator 1: mentira patológica; vigarice e manipulação; insensibilidade afetiva e ausência de remorso.

Os dados sociais revelaram que 01 sujeito era analfabeto; 05 tinham profissão e dos 07 sujeitos 06 foram condenados de 14 a 30 anos. Demograficamente 06 sujeitos eram do sudeste e 01 do nordeste. Os resultados revelaram características da PAS descritas na literatura, fator este marcante para comportamentos criminosos. Os aspectos sociais neste estudo parecem não ser um fator preponderante para o comportamento criminoso. A PCL-R apresenta-se como um importante instrumento de avaliação dos aspectos da personalidade de criminosos.

 

Serafim, A P. e Rigonatti, S P.
Núcleo Forense -Instituto de Psiquiatria -FMUSP -
R Ovídeo Pires de Campos, s/n, sala 4061,30. andar Cep 05403010 São Paulo SP Fone-fax
30696525
apserafim@uol. com. br

ANTIDEPRESSIVO TRICÍCLICO E L-TIROXINA ALTERANDO A EVOLUÇÃO CLÍNICA DE PACIENTES COM TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR: RELATO DE DOIS CASOS

Lima, J. ; Tokuda, R. ; Lodi, G. ; Nicolato, R.

Relato:
Descrevemos dois casos de pacientes com diagnóstico de transtorno bipolar, que tiveram, respectivamente, sua evolução clínica alterada com a introdução de antidepressivo tricíclico e levotiroxina sádica.

Primeiro caso:
Paciente do sexo feminino, com 51 anos, diagnóstico de transtorno afetivo bipolar há 32 anos. Evoluiu com múltiplos episódios maníacos, depressivos e mistos, alguns com sintomas i psicóticos associados; várias internações e fraca resposta à monoterapia. Fez uso de antidepressivos tricíclicos, o que foi associado a viragens maníacas. Nos últimos anos, a paciente apresentou predomínio de quadros mistos. Atualmente estável, em uso da associação de carbamazepina, ácido valpróico e trifluorperazina.

Segundo caso:
Ppaciente do sexo masculino, com 34 anos, diagnóstico de transtorno afetivo bipolar há 15 anos, iniciado com episódio depressivo. Evolui com várias internações. Em sua última internação foi diagnosticado hipotireoidismo e iniciado tratamento com levotiroxina sódica. Apresentou episódio de mania mista. Atualmente estável, em uso da associação de carbamazepina, ácido valpróico e tioridazina.

Conclusão:
A introdução de antidepressivos tricíclicos (para o tratamento de depressão) e de levotiroxina sádica (para tratamento de hipotireoidismo) alterou, desfavoravelmente, a evolução clínica dos pacientes acima descritos, com viragens maníacas e pior resposta ao lítio. Foi utilizado o esquema de associação de carbamazepina, ácido valpróico e antipsicótico típico com boa resposta terapêutica. Não foram observadas complicações clínicas em decorrência de tais esquemas, apesar das interações farmacológicas possíveis, descritas na literatura.

 

 

Lima, J. ; Tokuda, R. ; Lodi, G. ; Nicolato, R.
Serviço de Saúde Mental do HC da UFMG, Av. Alfredo Balena, 190, ~ and, Belo Horizonte, MG. Tel. : (31) 3248-9458