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Adolescência
e Puberdade |
VARIÁVEIS DE RISCO PARA A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - 3 Gláucia da Motta Bueno
CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS * Conhecimento de algumas possíveis variáveis
concorrentes para a gravidez na adolescência da amostra estudada. O presente estudo permitiu o conhecimento de algumas possíveis variáveis concorrentes para a gravidez na adolescência da amostra estudada, que foram: estar apaixonada sem avaliar a possibilidade de engravidar, não prevenir a gravidez, não planejar a gravidez, repetir padrões de comportamento, ausência do pai e privação de informações sobre sexo e gravidez pelos pais, desejo do parceiro pela gravidez, escolarização, influência dos meios de comunicação nos adolescentes em geral, não utilizar corretamente os métodos contraceptivos e estar sob controle do reforçamento imediato - o prazer das relações sexuais. De acordo com os resultados obtidos através dos instrumentos utilizados, alguns itens se destacaram. Na Categoria 1, variáveis relacionadas ao conceito de gravidez na adolescência, obteve-se exatamente o que os sujeitos do estudo pensavam sobre a gravidez durante essa etapa da vida e algumas variáveis envolvidas para a ocorrência da própria gravidez. Foi interessante notar a contradição existente entre a experiência de engravidar e o conceito de gravidez na adolescência. Quanto à própria gravidez, essa foi vista como positiva enquanto o conceito sobre a gravidez na adolescência foi analisado como negativo. |
Gláucia da Motta Bueno
Esta é a dissertação de mestrado da psicóloga Gláucia da Motta Bueno. Trata-se de um estudo sobre as variáveis de risco para a gravidez na adolescência. É um tema oportuno na medida em que passamos por, pelo menos, duas crises envolvendo essa questão: a procriação humana inconseqüente ou sem planejamento e, em segundo, a banalização da maternidade em idades cada vez mais precoces. Colocamos em PsiqWeb a Introdução do trabalho, que nos dá perfeitamente uma boa idéia da pesquisa e a conclusão, igualmente importante para a compreensão do tema. Isso totalizou 3 páginas. Para interessados, disponibilizamos para download um arquivo zipado em .doc do trabalho todo. Para conseguí-lo clique aqui. |
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Nesta categoria, os itens que mais se destacaram foram: estar apaixonada pelo parceiro sem pensar na possibilidade de engravidar, não se prevenir em relação à gravidez e não planejar a gravidez. Pelo fato de estarem apaixonados, a maioria dos sujeitos do estudo relatou não avaliar a possibilidade da ocorrência da gravidez. A falta de prevenção apareceu com alta freqüência de respostas a dois itens que foram: "Por que você engravidou" e "A que você atribui o fato de ter engravidado" revelando-se como uma importante variável para a ocorrência da gravidez. Este resultado possibilitou concluir o quanto os sujeitos do estudo estavam despreparados ou até mesmo desorientados quanto às responsabilidades que envolvem a manutenção de uma vida sexualmente ativa, mostrando que, apesar de todas as alterações fisiológicas que ocorrem durante a adolescência, essa população parece não possuir maturidade suficiente para assumir uma vida sexual ativa. Destaca-se aqui a importância da educação sexual esclarecedora e sem preconceitos tanto por parte da escola como da família. O não planejamento da gravidez refletiu a mesma imaturidade acerca do comportamento sexual. A questão do abuso sexual aparece com alta freqüência de respostas negativas. Portanto, entre a amostra estudada o abuso sexual não ocasionou nenhuma gravidez, assim como não houve ocorrência de gravidez como forma de antecipar o casamento dos sujeitos. Somente um entre todos os sujeitos da pesquisa fez da gravidez um motivo para se casar. Na categoria 2, no que diz respeito às variáveis relacionadas à família destacou-se a repetição de padrões de comportamentos dos sujeitos com relação aos de suas mães. Estas, também, em sua maioria engravidaram durante a adolescência. Além delas, parentes próximos engravidaram recentemente, fazendo com que o parceiro e até a própria adolescente sentisse vontade de ser mãe. O fato de ter um filho mostrou-se reforçador, e este fato pode estar apontando para uma escassez de fontes de reforçamento nesta população, ou de necessidades de elos afetivos mais próximos. A privação de informações pela falta de comunicação com os pais e/ou a ausência do pai podem ser as operações estabelecedoras do comportamento sexual da maioria dos sujeitos do estudo. O conceito de operação estabelecedora foi desenvolvido por Michael (1982) para compreender o que leva um organismo a se comportar considerando aspectos do seu ambiente externo. Os itens "Ela ou alguém da sua família pediu para você engravidar" e "Você quis agredir sua família através da gravidez" destacou-se pela unanimidade de respostas negativas, mostrando que foram variáveis que não controlaram nenhum sujeito do estudo para engravidar. Na categoria 3, as variáveis relacionadas ao parceiro mostraram que a principal contribuição do parceiro para a gravidez foi o seu desejo em relação à mesma, pedindo em alguns casos que o sujeito engravidasse, revelando a importância desse relacionamento para a maioria dos sujeitos do estudo que acataram a vontade de seus parceiros. Estes resultados podem estar indicando uma irresponsabilidade quanto ao futuro, pouca capacidade de análise de situação a longo prazo, e uma resposta controlada por um reforço imediato (o prazer de ter um filho), com pouca análise das conseqüências futuras. Isto indica o baixo autocontrole que esta população desenvolve. A literatura mostrou-se praticamente inexistente quanto ao relacionamento afetivo entre adolescentes e quanto ao envolvimento do parceiro na gravidez durante a adolescência, remetendo-se a necessidade de pesquisas a esse respeito. De acordo com os resultados obtidos na categoria 4, ou seja, em relação às variáveis relacionadas ao ambiente sociocultural pode-se concluir que a escola para a maioria dos sujeitos foi negligente quanto à educação sexual, mostrando o quanto esta se faz urgente, devendo ser iniciada o quanto antes, orientando e esclarecendo os jovens em relação ao comportamento sexual. É importante que esta educação sexual seja feita de maneira clara e sem preconceitos os conscientizando das responsabilidades. É necessário esclarecer que apesar do sexo ser um reforço primário, e portanto ter forte potencial controlador do comportamento a curto prazo, em longo prazo pode acarretar conseqüências desastrosas. Alguns itens se destacaram pela alta freqüência de respostas negativas nesta categoria, nenhum sujeito alegou ter engravidado porque a amiga havia engravidado recentemente, somente um sujeito disse que trabalhava e nenhum possuía independência econômica. A necessidade de pesquisas sobre o aspecto cultural e o comportamento sexual do adolescente é grande, já que não foram encontradas na literatura revista, pois de acordo com Skinner (1998), a cultura é o próprio ambiente social que exerce controle sobre o comportamento de quem a pratica. Na categoria 5, variáveis relacionadas à mídia, ficou clara a influência dos meios de comunicação no comportamento sexual dos jovens em geral. No entanto, para os sujeitos do presente estudo esta não foi a principal variável que favoreceu a gravidez, pois a maioria argumentou não ter recebido esta influência no próprio comportamento sexual, embora concordaram com o fato de influenciarem negativamente os jovens. Quanto à questão da produção independente, os sujeitos dividiram-se homogeneamente quanto à influência que pode exercer no comportamento dos jovens em relação a sua divulgação pela mídia, também não se tratando de um aspecto importante que possa ter contribuído para a gravidez dos sujeitos deste estudo. Pesquisas que abordem a mídia e o comportamento sexual dos adolescentes são necessárias, pois a literatura mostrou-se escassa sobre o assunto. Na categoria 6, variáveis relacionadas a comportamentos de risco, o comportamento de risco mais emitido pelos sujeitos do estudo que favoreceu a ocorrência da gravidez foi o fato de manterem relação sexual sem a utilização de métodos contraceptivos ou utilizá-los esporadicamente e incorretamente. Muitos sujeitos do estudo alegaram não saber o que eram métodos contraceptivos, o que mostra mais uma vez a necessidade de esclarecer os jovens quanto aos aspectos envolvidos na sexualidade. Além disso, o que pareceu controlar o comportamento dos sujeitos, foi à manutenção da relação sexual para a obtenção do reforçamento positivo imediato - o prazer proporcionado, mostrando que a preocupação em satisfazer-se era maior que qualquer outra. Poucos sujeitos alegaram já ter experimentado drogas como maconha, cocaína e crack. Destes, somente uma disse ainda continuar usando, embora o faça raramente. No entanto, todos os sujeitos do estudo afirmaram que nunca usavam drogas para manter relação sexual. Com estes resultados, concluiu-se que usar drogas não foi um comportamento de risco que pudesse ter favorecido a gravidez dos sujeitos neste estudo específico. Este estudo não permitiu concluir qual a variável com
maior impacto para a gravidez dos sujeitos ocorrer na adolescência,
apenas possibilitaram conhecer àquelas que de acordo com os instrumentos,
se destacaram, pode-se apenas descrever as variáveis envolvidas para a
gravidez na adolescência da amostra estudada. Ao analisar e discutir as categorias, pode-se dizer que o nível de concordância entre os juízes foi satisfatório, pois facilitou o prosseguimento do estudo. Os instrumentos utilizados limitaram o estudo, pois muitas lacunas foram deixadas pelos sujeitos, dispersando alguns dados, e pelo fato da restrição a outros motivos que levaram os sujeitos a engravidar, devido à escolha da Autora em estruturá-los de acordo com um grupo de variáveis. Uma outra limitação para o estudo foi o escasso repertório verbal dos sujeitos. O que este estudo deixou muito claro foi à falta de orientação e educação sexual dos sujeitos envolvidos, mostrando o quanto se fazem necessárias. O psicólogo enquanto profissional habilitado acerca do comportamento humano pode desenvolver junto à comunidade programas de prevenção à gravidez na adolescência, já que os índices deste problema aumentam a cada ano, contribuindo para a marginalização dessa população; o professor enquanto educador muito pode oferecer, no entanto para isso necessita do apoio e investimento dos governantes, e a família, também, é muito importante neste processo, pois de acordo com a literatura, um ambiente familiar coercitivo aumenta a probabilidade de problemas como este ocorrerem (Sidman, 1995). Enfim, este estudo permitiu concluir que há muito a ser feito para os adolescentes no que diz respeito ao suporte familiar, educacional, cultural e comportamental, remetendo-se à necessidade de pesquisas nacionais acerca da gravidez durante a adolescência, fato que deveria mobilizar toda a sociedade.
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