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Depressão na Adolescência Psiquiatria Infantil Gravidez na Adolescência Suicídio na InfÂncia e Adolescência Adolescência e Puberdade Transtornos de Conduta Sociedade Paulista de Psiquiatria Clínica

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Adolescência e Puberdade  
Abuso Sexual Infantil
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Depressão na Adolescência

Depressão Infantil
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Transt.Obsessivo-Compulsivo
Violência em Adolescentes 
Violência Doméstica     

 

VARIÁVEIS DE RISCO PARA A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - 3

Gláucia da Motta Bueno

 

CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

* Conhecimento de algumas possíveis variáveis concorrentes para a gravidez na adolescência da amostra estudada.
* Não permitiu concluir qual a variável de maior impacto para a gravidez dos sujeitos ocorrer na adolescência.
* Limitações nos instrumentos utilizados.
* Falta de orientação e educação sexual dos sujeitos.
* Desenvolvimento de programas de prevenção da gravidez na adolescência.
* Necessidade de pesquisas nacionais sobre o tema.

O presente estudo permitiu o conhecimento de algumas possíveis variáveis concorrentes para a gravidez na adolescência da amostra estudada, que foram: estar apaixonada sem avaliar a possibilidade de engravidar, não prevenir a gravidez, não planejar a gravidez, repetir padrões de comportamento, ausência do pai e privação de informações sobre sexo e gravidez pelos pais, desejo do parceiro pela gravidez, escolarização, influência dos meios de comunicação nos adolescentes em geral, não utilizar corretamente os métodos contraceptivos e estar sob controle do reforçamento imediato - o prazer das relações sexuais.

De acordo com os resultados obtidos através dos instrumentos utilizados, alguns itens se destacaram.

Na Categoria 1, variáveis relacionadas ao conceito de gravidez na adolescência, obteve-se exatamente o que os sujeitos do estudo pensavam sobre a gravidez durante essa etapa da vida e algumas variáveis envolvidas para a ocorrência da própria gravidez. Foi interessante notar a contradição existente entre a experiência de engravidar e o conceito de gravidez na adolescência. Quanto à própria gravidez, essa foi vista como positiva enquanto o conceito sobre a gravidez na adolescência foi analisado como negativo.

Gláucia da Motta Bueno
R: Ataliba Camargo de Andrade, 186 - Cambuí - Campinas, S.P.
cep: 13025-290; 
F: (019) 32541530
e-mail

 

 

Esta é a dissertação de mestrado da psicóloga Gláucia da Motta Bueno. Trata-se de um estudo sobre as variáveis de risco para a gravidez na adolescência.

É um tema oportuno na medida em que passamos por, pelo menos, duas crises envolvendo essa questão: a procriação humana inconseqüente ou sem planejamento e, em segundo, a banalização da maternidade em idades cada vez mais precoces.  

Colocamos em PsiqWeb a Introdução do trabalho, que nos dá perfeitamente uma boa idéia da pesquisa e a conclusão, igualmente importante para a compreensão do tema. Isso totalizou 3 páginas.

Para interessados, disponibilizamos para download um arquivo zipado em .doc do trabalho todo. Para conseguí-lo clique aqui.

 

Colaboradores


Ana Rafaella C. Bezerra
Andreza Trigo Ribeiro
Angela Cristini Gebara
Carmen Sylvia Ribeiro
Casiana T. Chalegre
César de Moraes
Cibele Cintra Souza
Cláudia D'Andretta
Cleber Monteiro Muniz
Daniela Sá L. Guimarães
Diany I. de Souza
Gláucia da Motta Bueno 
Glaucio Menoni Honorato
Magda Vaissman
Renata Rigacci
Rosângela Maria Bassoli

 

   

Nesta categoria, os itens que mais se destacaram foram: estar apaixonada pelo parceiro sem pensar na possibilidade de engravidar, não se prevenir em relação à gravidez e não planejar a gravidez. Pelo fato de estarem apaixonados, a maioria dos sujeitos do estudo relatou não avaliar a possibilidade da ocorrência da gravidez. A falta de prevenção apareceu com alta freqüência de respostas a dois itens que foram: "Por que você engravidou" e "A que você atribui o fato de ter engravidado" revelando-se como uma importante variável para a ocorrência da gravidez. 

Este resultado possibilitou concluir o quanto os sujeitos do estudo estavam despreparados ou até mesmo desorientados quanto às responsabilidades que envolvem a manutenção de uma vida sexualmente ativa, mostrando que, apesar de todas as alterações fisiológicas que ocorrem durante a adolescência, essa população parece não possuir maturidade suficiente para assumir uma vida sexual ativa. Destaca-se aqui a importância da educação sexual esclarecedora e sem preconceitos tanto por parte da escola como da família. O não planejamento da gravidez refletiu a mesma imaturidade acerca do comportamento sexual.

A questão do abuso sexual aparece com alta freqüência de respostas negativas. Portanto, entre a amostra estudada o abuso sexual não ocasionou nenhuma gravidez, assim como não houve ocorrência de gravidez como forma de antecipar o casamento dos sujeitos. Somente um entre todos os sujeitos da pesquisa fez da gravidez um motivo para se casar.

Na categoria 2, no que diz respeito às variáveis relacionadas à família destacou-se a repetição de padrões de comportamentos dos sujeitos com relação aos de suas mães. Estas, também, em sua maioria engravidaram durante a adolescência. Além delas, parentes próximos engravidaram recentemente, fazendo com que o parceiro e até a própria adolescente sentisse vontade de ser mãe. O fato de ter um filho mostrou-se reforçador, e este fato pode estar apontando para uma escassez de fontes de reforçamento nesta população, ou de necessidades de elos afetivos mais próximos.

A privação de informações pela falta de comunicação com os pais e/ou a ausência do pai podem ser as operações estabelecedoras do comportamento sexual da maioria dos sujeitos do estudo. O conceito de operação estabelecedora foi desenvolvido por Michael (1982) para compreender o que leva um organismo a se comportar considerando aspectos do seu ambiente externo.

Os itens "Ela ou alguém da sua família pediu para você engravidar" e "Você quis agredir sua família através da gravidez" destacou-se pela unanimidade de respostas negativas, mostrando que foram variáveis que não controlaram nenhum sujeito do estudo para engravidar.

Na categoria 3, as variáveis relacionadas ao parceiro mostraram que a principal contribuição do parceiro para a gravidez foi o seu desejo em relação à mesma, pedindo em alguns casos que o sujeito engravidasse, revelando a importância desse relacionamento para a maioria dos sujeitos do estudo que acataram a vontade de seus parceiros. Estes resultados podem estar indicando uma irresponsabilidade quanto ao futuro, pouca capacidade de análise de situação a longo prazo, e uma resposta controlada por um reforço imediato (o prazer de ter um filho), com pouca análise das conseqüências futuras. Isto indica o baixo autocontrole que esta população desenvolve.

A literatura mostrou-se praticamente inexistente quanto ao relacionamento afetivo entre adolescentes e quanto ao envolvimento do parceiro na gravidez durante a adolescência, remetendo-se a necessidade de pesquisas a esse respeito.

De acordo com os resultados obtidos na categoria 4, ou seja, em relação às variáveis relacionadas ao ambiente sociocultural pode-se concluir que a escola para a maioria dos sujeitos foi negligente quanto à educação sexual, mostrando o quanto esta se faz urgente, devendo ser iniciada o quanto antes, orientando e esclarecendo os jovens em relação ao comportamento sexual. É importante que esta educação sexual seja feita de maneira clara e sem preconceitos os conscientizando das responsabilidades. É necessário esclarecer que apesar do sexo ser um reforço primário, e portanto ter forte potencial controlador do comportamento a curto prazo, em longo prazo pode acarretar conseqüências desastrosas.

Alguns itens se destacaram pela alta freqüência de respostas negativas nesta categoria, nenhum sujeito alegou ter engravidado porque a amiga havia engravidado recentemente, somente um sujeito disse que trabalhava e nenhum possuía independência econômica.

A necessidade de pesquisas sobre o aspecto cultural e o comportamento sexual do adolescente é grande, já que não foram encontradas na literatura revista, pois de acordo com Skinner (1998), a cultura é o próprio ambiente social que exerce controle sobre o comportamento de quem a pratica.

Na categoria 5, variáveis relacionadas à mídia, ficou clara a influência dos meios de comunicação no comportamento sexual dos jovens em geral. No entanto, para os sujeitos do presente estudo esta não foi a principal variável que favoreceu a gravidez, pois a maioria argumentou não ter recebido esta influência no próprio comportamento sexual, embora concordaram com o fato de influenciarem negativamente os jovens. Quanto à questão da produção independente, os sujeitos dividiram-se homogeneamente quanto à influência que pode exercer no comportamento dos jovens em relação a sua divulgação pela mídia, também não se tratando de um aspecto importante que possa ter contribuído para a gravidez dos sujeitos deste estudo.

Pesquisas que abordem a mídia e o comportamento sexual dos adolescentes são necessárias, pois a literatura mostrou-se escassa sobre o assunto.

Na categoria 6, variáveis relacionadas a comportamentos de risco, o comportamento de risco mais emitido pelos sujeitos do estudo que favoreceu a ocorrência da gravidez foi o fato de manterem relação sexual sem a utilização de métodos contraceptivos ou utilizá-los esporadicamente e incorretamente. Muitos sujeitos do estudo alegaram não saber o que eram métodos contraceptivos, o que mostra mais uma vez a necessidade de esclarecer os jovens quanto aos aspectos envolvidos na sexualidade. Além disso, o que pareceu controlar o comportamento dos sujeitos, foi à manutenção da relação sexual para a obtenção do reforçamento positivo imediato - o prazer proporcionado, mostrando que a preocupação em satisfazer-se era maior que qualquer outra.

Poucos sujeitos alegaram já ter experimentado drogas como maconha, cocaína e crack. Destes, somente uma disse ainda continuar usando, embora o faça raramente. No entanto, todos os sujeitos do estudo afirmaram que nunca usavam drogas para manter relação sexual. Com estes resultados, concluiu-se que usar drogas não foi um comportamento de risco que pudesse ter favorecido a gravidez dos sujeitos neste estudo específico.

Este estudo não permitiu concluir qual a variável com maior impacto para a gravidez dos sujeitos ocorrer na adolescência, apenas possibilitaram conhecer àquelas que de acordo com os instrumentos, se destacaram, pode-se apenas descrever as variáveis envolvidas para a gravidez na adolescência da amostra estudada.

É importante considerar que os motivos que contribuíram para os sujeitos do estudo engravidarem, variaram entre eles, ou seja, o motivo que levou um sujeito a engravidar necessariamente não foi o mesmo para um outro sujeito. Os resultados que se destacaram em cada categoria foram àqueles que mais apareceram para o maior número de sujeitos.

Ao analisar e discutir as categorias, pode-se dizer que o nível de concordância entre os juízes foi satisfatório, pois facilitou o prosseguimento do estudo.

Os instrumentos utilizados limitaram o estudo, pois muitas lacunas foram deixadas pelos sujeitos, dispersando alguns dados, e pelo fato da restrição a outros motivos que levaram os sujeitos a engravidar, devido à escolha da Autora em estruturá-los de acordo com um grupo de variáveis. Uma outra limitação para o estudo foi o escasso repertório verbal dos sujeitos.

O que este estudo deixou muito claro foi à falta de orientação e educação sexual dos sujeitos envolvidos, mostrando o quanto se fazem necessárias. O psicólogo enquanto profissional habilitado acerca do comportamento humano pode desenvolver junto à comunidade programas de prevenção à gravidez na adolescência, já que os índices deste problema aumentam a cada ano, contribuindo para a marginalização dessa população; o professor enquanto educador muito pode oferecer, no entanto para isso necessita do apoio e investimento dos governantes, e a família, também, é muito importante neste processo, pois de acordo com a literatura, um ambiente familiar coercitivo aumenta a probabilidade de problemas como este ocorrerem (Sidman, 1995).

Enfim, este estudo permitiu concluir que há muito a ser feito para os adolescentes no que diz respeito ao suporte familiar, educacional, cultural e comportamental, remetendo-se à necessidade de pesquisas nacionais acerca da gravidez durante a adolescência, fato que deveria mobilizar toda a sociedade.

 

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