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Adolescência
e Puberdade |
VARIÁVEIS DE RISCO PARA A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - 2 Gláucia da Motta Bueno II - VARIÁVEIS DE RISCO
Skinner (1990) argumenta que o comportamento de um organismo é um produto de três tipos de variação e seleção, que são: a seleção natural, o condicionamento operante e a cultura. As culturas, em geral, possuem as funções dos meios sociais, como oferecer modelos, dizer e ensinar; através delas seus membros solucionam os próprios problemas. A cultura é o próprio ambiente social que exerce
controle sobre o comportamento do grupo que a pratica (Skinner, 1974). No entanto, as heranças genéticas diferem grandemente e os ambientes possuem uma maior probabilidade em mostrar mais diferenças que semelhanças, das quais um grande número pode ser atribuído às variáveis culturais. Por esse motivo, não se pode dizer que um único conjunto de procedimentos controla o comportamento sexual dos adolescentes, que atualmente é influenciado por técnicas conflitivas que mostram a transição de um procedimento cultural a outro (Skinner, 1998). A cultura é a característica mais forte que diferencia um indivíduo de outro, pois possui importante influência para determinar os costumes cotidianos de uma dada população, que são compartilhados e passados pelo grupo de geração à geração (Baum, 1999). No entanto, seu aspecto fundamental é de que ela evolui e sobrevive de acordo com a eficácia que possui para determinado grupo para solucionar problemas a partir da emissão do comportamento (Skinner, 1974). Assim, nota-se a importância das contingências
ambientais para que o indivíduo se comporte. Nesse sentido, pode-se dizer
que o fato de engravidar durante a adolescência pode estar sob controle
de tais variáveis. |
Gláucia da Motta Bueno
Esta é a dissertação de mestrado da psicóloga Gláucia da Motta Bueno. Trata-se de um estudo sobre as variáveis de risco para a gravidez na adolescência. É um tema oportuno na medida em que passamos por, pelo menos, duas crises envolvendo essa questão: a procriação humana inconseqüente ou sem planejamento e, em segundo, a banalização da maternidade em idades cada vez mais precoces. Colocamos em PsiqWeb a Introdução do trabalho, que nos dá perfeitamente uma boa idéia da pesquisa e a conclusão, igualmente importante para a compreensão do tema. Isso totalizou 3 páginas. Para interessados, disponibilizamos para download um arquivo zipado em .doc do trabalho todo. Para conseguí-lo clique aqui.
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A família é o grupo social no qual o indivíduo pode se expressar com intimidade e espontaneidade, sendo um importante elemento para a saúde de seus membros; em uma família na qual a falta de afeto, agressão, indiferença e comunicação inadequada imperam, promovem-se péssimos resultados a ela própria; assim a comunicação entre seus integrantes possui fundamental importância para o bem-estar emocional dos mesmos (Rey, 1993). Dessa maneira, o contexto familiar pode influenciar grandemente o comportamento dos adolescentes. De acordo com Sidman (1995), vários jovens convivem com
um ambiente familiar punitivo promovendo, de alguma maneira, para que
estes deixem seus lares; deixar a família para estudar longe de casa ou
para trabalhar são vistos pela sociedade como algo altamente aceitável;
pais coercitivos colaboram para que seus filhos saiam de suas casas assim
que puderem. Sidman (1995, p.125) argumentou que a esquiva dos filhos da convivência dos pais pode ser explicada, muitas vezes, pelo modelo oferecido pelos pais aos próprios filhos, quando estes se afastam da família seja devido a doenças psiquiátricas incapacitantes, alcoolismo, excesso de trabalho ou de televisão, ou ainda através do divórcio. Para ele, "podemos fugir do ambiente coercitivo de nossa família, mas, a menos que tenhamos um outro modelo para seguir, criamos nossa própria cópia. E então, nossos filhos mantêm a tradição coercitiva viva", mostrando o quão importante é a estrutura familiar para a instalação do repertório comportamental dos seus integrantes. Um estudo realizado ente jovens hispânicos (Adolph et al, 1995) mostrou que a comunicação efetiva entre pais e filhos sobre questões sexuais pode deter a gravidez na adolescência. De acordo com o estudo, as adolescentes cujas mães conversam sobre sexo possuem menor probabilidade para engravidar. É comum adolescentes engravidarem devido as suas próprias mães terem engravidado durante a adolescência ou iniciado precocemente sua vida sexual. As jovens gestantes repetem padrões de comportamento de suas mães ou de alguma parente muito próxima (www.geocities. com/ Heartland/Plains/8436/ gravidez. html,1997; Órgão Oficial do Cremesp, 1999), o que pode ser explicado pela teoria da aprendizagem social de Bandura (1979) descrita anteriormente neste trabalho. De acordo com Barnett, Papini & Gbur (1991), as
adolescentes que engravidam percebem a família como pouco unidas, com
baixo nível de comunicação entre seus membros e normalmente, os pais
não vivem juntos, acarretando baixa renda familiar; enquanto àquelas
jovens que não engravidam, percebem um grande senso de união e força
familiar. Enfim, famílias que possuem comunicação e um relacionamento
adequados, parece ser menos provável que a gravidez na adolescência
ocorra. Estes mesmos autores identificam diferenças quanto ao gênero e à raça para a iniciação na atividade sexual. Concluem que as garotas cujos pais vivem juntos e são brancos possuem maior possibilidade em se manterem virgens, retardando o início à vida sexual. No entanto, uma vez iniciada a atividade sexual, esta possui altos níveis tanto quanto às adolescentes negras cujos pais também vivam juntos. Entre jovens negros o nível de atividade sexual é o mesmo para os meninos e meninas; enquanto entre jovens brancos, os meninos iniciam a atividade sexual mais precocemente que as meninas (Young et al, 1991). As normas culturais e as variáveis sociais parecem ser mais rígidas e comuns às garotas, pois quando o status social é uma questão importante para a família, a possibilidade de algumas restrições quanto ao comportamento sexual das meninas é maior que para os meninos, a preocupação dos pais com uma gravidez precoce contribui para que restrinjam a atividade sexual de suas filhas (Muuss, 1996). Nestes casos, é que se pode notar como os tabus e normas sociais obsoletas ainda se fazem presentes na sociedade. Quando à atividade sexual é definida em termos de ter uma vida sexual ativa, as jovens negras são mais sexualmente ativas que as brancas; e quando a atividade sexual é definida em termos de freqüência de atividade sexual, as adolescentes brancas são mais ativas (Young et al, 1991). De acordo com Haggerty, Sherrod, Garmezy & Rutter (1996), as taxas de nascimentos entre as jovens mães são maiores para as negras, no entanto não fornecem argumentos que expliquem tal ocorrência. Talvez uma variável importante que corrobore tal afirmação, seja as condições socioeconômicas precárias que vivem essa população. Nota-se, que há grandes diferenças étnicas e raciais entre as adolescentes como alegam Coley & Chase-Lansdale (1998). Uma outra razão que leva muitas jovens a engravidar é o abuso sexual (Órgão Oficial do Cremesp, 1999), que pode ser definido como um envolvimento de crianças ou adolescentes em uma atividade sexual contra a própria vontade (Kenney et al, 1997). Todos os níveis de abuso podem ter conseqüências psicológicas devastadoras e os resultados físicos desta violência são: fraturas, contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez (Emery & Laumann-Billings, 1998). Um estudo com 535 jovens mães que engravidaram na adolescência relata que 66% delas tinham sido sexualmente abusadas, 55% molestadas, 42% havia sofrido tentativa de estupro e 44% tinham sido estupradas, concluindo que mulheres sexualmente abusadas e que engravidam têm maior probabilidade para desenvolver comportamentos-problema que àquelas que são abusadas e não engravidam, como: uso de álcool e drogas, envolvimento em relacionamentos promíscuos e com parceiros mais velhos e menor adesão aos métodos contraceptivos (Boyer & Fine, 1992 apud Kenney et al, 1997). Em uma cidade do interior paulista, realizou-se um estudo através do Centro Regional de Atenção Maus Tratos à Infância - CRAMI - (Barison, 1999), no qual seis famílias foram entrevistadas devido ao abuso sexual estar ocorrendo. Em duas destas famílias as jovens engravidaram dos seus próprios pais. Outra instituição social que pode exercer um certo controle nas adolescentes é a escola. A escola possui importância fundamental na educação de um indivíduo, normalmente, serve como uma continuação ou complementação da educação recebida no âmbito familiar, possibilitando conhecimentos não só acadêmicos, como também orientações quanto ao próprio desenvolvimento do jovem (Rey, 1993). No entanto, os indicadores nacionais mostram uma
situação calamitosa quanto ao perfil das jovens gestantes; quando muitos
possuem o primeiro grau incompleto, a escolaridade da adolescente
mostra-se altamente defasada em relação à própria idade (Órgão
Oficial do Cremesp, 1999). Contudo, de acordo com Galletta (1999), a gravidez na adolescência quando ocorre na classe média deve-se mais à falta de perspectiva de vida do que somente à falta de orientação sexual ou conhecimento dos anticoncepcionais. Uma outra variável importante na gravidez durante a adolescência é a influência religiosa exercida sobre o comportamento sexual dos adolescentes. Carvalho (1999) realizou um estudo que visou a identificar essa influência e concluiu que a afiliação religiosa possuía forte impacto na população estudada, que se dividiu em quatro grupos religiosos: os evangélicos, católicos, espíritas e não-engajados a nenhuma religião; mostrando que os não-engajados evidenciaram-se como os mais avançados quanto às carícias e atividade sexual. Os evangélicos caracterizaram-se por regras rígidas de conduta, enquanto os espíritas advogaram o questionamento sobre as próprias ações e responsabilidade quanto às conseqüências. Dessa maneira, fica claro o importante papel orientador que as instituições religiosas recebem, já que são poderosos meios de comunicação e formadores de opinião. No entanto, há o desafio em se tornarem aliadas as práticas preventivas das instituições de saúde pública destinadas aos adolescentes (Carvalho, 1999); enfatizando a questão da responsabilidade em assumir uma vida sexual ativa, de uma forma não preconceituosa para que o adolescente, futuro adulto, possa desfrutar de uma vida sexual saudável. Portanto, é fundamental que tanto a família quanto a escola assumam a responsabilidade de formar e informar às jovens para que consolidem uma visão positiva da própria sexualidade e tornem-se capazes para tomadas de decisões maduras e responsáveis (www. planetabrasil.com.br/gravidez.htm, 1998). |
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2.2 - Variáveis Comportamentais Devido a todas transformações psicológicas, fisiológicas e sociais que ocorrem durante a adolescência, é muito comum que os jovens exibam alguns comportamentos de risco, tais como: fumar, usar drogas e/ou álcool, manter relações sexuais sem nenhuma medida contraceptiva (Banaco, 1995; Rome et al, 1998). Iñesta (1990) definiu os comportamentos instrumentais
como ações de um indivíduo que, direta ou indiretamente, diminuam ou
aumentem a probabilidade de contrair doenças. Dessa maneira, os
comportamentos instrumentais de risco são aqueles que favorecem o aumento
de tal probabilidade. Enquanto, os comportamentos instrumentais de risco indiretos são àqueles que mesmo sem produzir um contato específico, aumentam a vulnerabilidade do organismo diante à ação destes agentes, por exemplo, a prática inadequada de exercícios físicos, auto-medicação, consumo de drogas, etc (Iñesta, 1990). De acordo com Banaco (1995), os comportamentos-problema que os adolescentes apresentam são uma esquiva e se ocorrem, deve-se à presença de algum estímulo aversivo no ambiente. Para ele, a gravidez na adolescência, tem sido uma das principais razões que levam os pais a procurar por um terapeuta. Os comportamentos-problema foram definidos por Rome et al (1998) em um estudo realizado nos Estados Unidos mais especificamente em Ohio, como àqueles comportamentos de risco que provocam as sanções formais ou informais da sociedade, o que é muito comum entre os adolescentes. Este estudo mostrou que a gravidez na adolescência ocorre com maior freqüência em jovens que se engajam em comportamentos de risco, como o porte de arma, uso de álcool e/ou de cocaína, já ter sido portadora de uma doença sexualmente transmissível, início precoce da atividade sexual, entre outros. Assim, a gravidez na adolescência pode ser considerada uma conseqüência da emissão de um comportamento de risco da adolescente, como manter relações sexuais sem medidas contraceptivas, utilizá-las inadequadamente ou iniciar precocemente a atividade sexual. Um outro aspecto que favorece a gravidez em jovens diz respeito à escolarização, ou seja, estudos da década de 70 sugeriram que as adolescentes no momento que engravidavam, encontravam-se abaixo da média no desempenho escolar e nos resultados das avaliações antes da gravidez; atribuem o abandono à escola ou às baixas aspirações educacionais como variáveis precipitantes da gravidez da adolescente (Fávero & Mello, 1997). Estes fatos dividem-se em duas grandes linhas para a interpretação da questão: a gravidez devido ao baixo rendimento escolar e/ou o abandono à escola; e a gravidez como resultado de fraco desempenho escolar e às mínimas aspirações acadêmicas da adolescente (Fávero & Mello, 1997). Nesse sentido, pode-se dizer que a escola possui uma
grande importância na questão da gravidez durante a adolescência, seja
a respeito do desempenho da jovem nas atividades acadêmicas ou quanto às
informações que recebem para se evitar uma gravidez. Em alguns casos, quando a adolescente conhece as maneiras de evitar uma gravidez, muitas vezes, recusa-se a usá-las, pois isto implica em assumir sua vida sexual diante da família e da própria sociedade, algo extremamente aversivo para a maioria das adolescentes (www. planetabrasil.com.br/ gravidez. htm, 1998; www. geocities.com/Heartland/ Plains/8436/ gravidez.html, 1997; Fávero & Mello, 1997). Nesses casos são comuns os pensamentos "mágicos" com relação à contracepção: "tomar anticoncepcional me transforma; se me transforma, denuncia minha vida sexual; como isto não pode acontecer, então não devo tomar anticoncepcional" (Fávero & Mello,1997, p.134). Outras variáveis individuais que favorecem a gravidez na adolescência são: o fato de a jovem confiar na própria sorte, ou seja, é muito comum desenvolver o pensamento mágico de que a gravidez não acontecerá com ela, esquivando-se de tal possibilidade; a utilização incorreta de anticoncepcionais; o uso de álcool ou drogas; o desejo de agredir a família, estar perdidamente apaixonada pelo rapaz; não pensar no risco de engravidar; usar um método contraceptivo de baixa eficiência, desejo de antecipar o casamento e não possuir vida sexual ativa que justifique o uso continuado do contraceptivo (www. planetabrasil.com.br/gravidez.htm,1998; www.geocities.com/Heartland/Plains/8436/gravidez. html, 1997). As variáveis que contribuem para a gravidez na adolescência, parecem variar de indivíduo para indivíduo e/ou de situação para situação. O motivo que levou uma jovem a engravidar não é, necessariamente, o mesmo que de uma outra adolescente, como também à motivação para a gravidez. Dessa maneira, remete-se ao conceito de motivação a fim de melhor compreender as variáveis individuais e comportamentais que levam uma jovem a engravidar na adolescência. A motivação tem sido considerada como fator determinante do comportamento humano, mas explicações tradicionais sobre o assunto enfatizam o papel dos processos internos. Porém, na análise do comportamento o papel dos processos internos minimizam-se a favor das causas ambientais do comportamento (Cunha, 1995). Keller & Schoenfeld (1966) foram os primeiros a tratar da necessidade do conceito de motivação como uma variável importante para o comportamento, pois de acordo com eles, muitas são as operações que estabelecem o comportamento de um indivíduo além do reforçamento. No entanto, introduzem o termo operação estabelecedora relacionando-o com o conceito de impulso, que significa uma palavra para reconhecer quais são as as funções do comportamento que podem depender de reforçamento e estas por sua vez, podem ser modificáveis por outras influências como as exercidas pelas ocorrências que não envolvem reforçamento, ao invés de classificá-lo como um evento unicamente interno. O motivo é um conjunto de relações entre operações que o estabelecem e as modificações no comportamento que o acompanham. Então, o que estabelece os impulsos são a privação e a estimulação do organismo; estas operações têm efeitos sobre o comportamento que indicam a efetividade do reforçamento e a mudança de freqüência do comportamento seguido por tal evento reforçador (Keller & Schoenfeld, 1966). Skinner (1998) embora não utilize o termo operação
estabelecedora, refere-se à motivação como uma questão que depende da
privação ou saciação de um organismo para explicar o comportamento. Uma operação estabelecedora é um evento ambiental que afeta um organismo, primeiro pela alteração momentânea na eficácia de um reforçador (ou punidor) de outro evento, estímulo ou objeto; e segundo, pela alteração momentânea na força daquelas partes do repertório do organismo que foram reforçadas ou punidas por aqueles outros eventos; enquanto o estímulo discriminativo é um estímulo para dada resposta e não um estímulo para dado reforço. Ela pode ser incondicionada, ou seja, de origem filogenética e varia de espécie para espécie, ou condicionada com origem ontogenética, portanto, relacionada diretamente com a história do indivíduo (Michael, 1983,1993). Portanto, motivação não é uma força ou impulso a ser encontrado dentro de um organismo, é um termo aplicado a muitas variáveis orgânicas e ambientais que tornam vários estímulos relevantes ao organismo (Catania, 1999). Com relação à gravidez na adolescência, é interessante avaliar quais são as operações estabelecedoras da adolescente para engravidar; é importante o conhecimento dos motivos para a ocorrência de uma gravidez na adolescência, ou seja sob que tipo de privação ou saciação estas jovens estão submetidas que as levam em alguns casos a optar ou mesmo decidir pela gravidez, realmente a desejando e planejando; e em outros casos, isso ocorrer em função da própria alienação e à falta de conhecimento da responsabilidade que envolve uma gravidez seja em qualquer idade. |
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